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Mais austeridade

CDS-PP rejeita crise política

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"Não bloqueei a decisão da Taxa Social Única porque conduziria ao caos, disse Paulo Portas em conferência de imprensa, salientando que o Governo deve ter uma "posição de abertura" para avaliar a situação com os parceiros sociais e instituições do país. 

Raquel Pinto (www.expresso.pt)

Paulo Portas quebrou hoje o silêncio sobre a subida da Taxa Social Única (TSU). Em conferência de imprensa, o líder do CDS-PP e ministro dos Negócios Estrangeiros recusou a ideia de abrir uma "crise política", garantindo que o partido lhe transmitiu uma posição de "compromisso para quatro anos, para cumprir, porque Portugal precisa de um Governo estável".

"Soube, tive uma opinião diferente, alertei, defendi outros caminhos, mas não bloqueei a decisão [do aumento da TSU], porque conduziria a uma crise nas negociações externas, no governo e a um caos que iria desperdiçar o esforço já feito pelos portugueses", explicou.

Portas apontou a "atitude construtiva" e a "importância de preservar o diálogo social e cuidar do consenso político" como ideias síntese do seu partido, que ontem reuniu a comissão política e o conselho nacional para discutir as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.

Desta forma, sai em defesa do caminho de que o Governo deve ter uma "posição de abertura para avaliar a situação com os parceiros sociais e instituições do país".    

"Não haverá dois governos"

Paulo Portas garantiu "não haverá dois governos", pois o Governo é um só, e os partidos que o apoiam é que são dois. O CDS está "firme" na coligação e não a entende como uma fusão.

O partido "está lembrado que tem o dever" para com os que mais sofrem, idosos e jovens que não encontram emprego ou os desempregados que "desesperam" por uma oportunidade, salientou.

Para Portas é normal existirem diferenças no seio de uma coligação, exemplificando com os casos da Alemanha e Reino Unido, em que o dia-a-dia passa por procurar compromissos numa "atitude essencial, "do equilíbrio", sem descurar de que "uns tiveram mais votos e outros menos votos".

Entre as prioridades do CDS-PP, Portas enumera por ordem decrescente de importância, o "interesse de Portugal", "as ideias em que acreditamos", "partido e legítimo interesse" e a "circunstância pessoal de cada político", sendo que a última "não precede nenhuma das outras".

Portugal sem condições de "independência"

"Portugal, não tem condições, por enquanto, para viver independente dos seus credores", garante Portas. E seria um "erro" pensar que um programa com mais dinheiro era a solução para o problema, pois traria "mais condicionalidade". "Não há almoços grátis, nem empréstimos grátis", ilustrou, traduzindo a ideia de que um novo programa "é sempre mais duro".

O líder do CDS-PP assegura que "se Portugal não tivesse tido uma avaliação positiva da troika e um governo estável estaria hoje bem mais perto da situação da Grécia". Por isso, "caminhar para um novo resgate significaria perder mais poder de compra e quem já é pobre ficaria mais pobre".

O próximo Orçamento de Estado é "um trabalho em curso", referiu Portas, salientando que já foi conseguida uma redução significativa do lado da despesa" e "há um esforço redobrado" para fazer até à aprovação final do documento. A "ética" do esforço tem de ser levado até ao fim com as parcerias público-privadas e empresas públicas e soluções justas nas parcelas da despesa.

O dirigente democrata-cristão terminou com a garantia de que "não dirá absolutamente nada que prejudique a margem de manobra do Governo": "Faremos tudo o que pudermos para o país não se dividir perigosamente. Farei tudo para que o sentido de responsabilidade permaneça".

Veja o vídeo: