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Austeridade é o único caminho, diz Merkel

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Chancelar alemã defendeu hoje a austeridade em Portugal, mesmo que haja recessão.

A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou hoje a defender a redução das dívidas públicas e reformas estruturais como solução para a crise em Espanha e em Portugal, mesmo que para isso tenham de passar por uma fase de recessão.

Se os países mais vulneráveis contraírem menos dívidas, naturalmente que terão uma fase recessiva, mas simultaneamente é preciso fazer uma política de novo orientada para o crescimento, e como há pouca margem de manobra, têm de se fazer reformas estruturais, que não custam dinheiro", acrescentou Merkel.

"Por causa do elevado endividamento, os mercados financeiros internacionais hesitam em investir na Europa, por isso, temos de mostrar de forma convincente que aprendemos com os erros do passado, e respeitar o Pacto de Estabilidade, foi para isso que aprovámos o Tratado Orçamental", disse a chefe do Governo alemão em conferência de imprensa, em Berlim.

Medidas adicionais precisam-se

Entretanto, no seu relatório semanal, a agência de notação Moody´s considerou hoje que a revisão das metas do défice orçamental acordada com a troika é positiva para o 'rating' de Portugal, mas mesmo com estas metas revistas serão necessárias medidas adicionais para atingir os objetivos do próximo ano.

"As revisões são positivas para a notação de crédito porque conseguem manter o apoio financeiro, enquanto reduzem as amarras sobre o crescimento económico da consolidação orçamental numa já frágil economia", pode ler-se no documento.

No seguimento da conclusão da quinta revisão do programa, o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE), que compõem a troika, anunciaram o acordo para alargar as metas do défice orçamental para este ano, que passa de 4,5 para 5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), e de 3 para 4,5 por cento no próximo ano, tendo o défice de baixar a fasquia dos 3 por cento do PIB apenas em 2014.

A Moody's lembra que esta revisão das metas se deve "principalmente devido aos efeitos do abrandamento económico na Europa", referindo que as reformas já realizadas devem resultar em maior crescimento económico e que estas já estão a ter um efeito positivo no défice comercial e externo.

No entanto, a Moody's aponta várias fragilidades no imediato à economia portuguesa.

Missão (quase) impossível

"As circunstâncias económicas imediatas de Portugal são frágeis, as receitas dos impostos indiretos até esta altura do ano não cresceram como projetado no programa devido ao elevado desemprego e às condições ainda mais fracas em Espanha, o maior parceiro comercial de Portugal", escreve a agência.

No documento, os analistas dizem então que o ajustamento económico e orçamental "continua a ser extremamente difícil e carregado de riscos" e que apesar das revisões serem benéficas, mesmo com esse aligeirar das metas o Governo precisa de tomar mais medidas se quer atingir as metas acordadas.

"Apesar da revisão às metas do programa implicar reduções menores do défice, especialmente no próximo ano, mesmo para atingir as metas revistas será necessário medidas adicionais de consolidação", diz a Moody's.

Intensas negociações políticas

A agência de notação financeira Moody's espera "intensas negociações" entre os partidos políticos nas próximas semanas e que estes consigam alcançar um acordo alargado sobre o Orçamento do Estado e assim "evitar mais uma crise política".

"Uma vez que o consenso entre o Governo e os socialistas tem sido um importante elemento para a estabilidade desde a queda do Governo e consequentes eleições antecipadas no ano passado, nós esperamos que tenham lugar intensas negociações nas próximas semanas e que estas alcancem um acordo alargado sobre o orçamento e evitem mais uma crise política", diz a agência no seu relatório semanal.