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Face Oculta

Médicos de Manuel Godinho queixam-se à Ordem

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Clínico geral e três especialistas temem morte do principal arguido do processo Face Oculta e lamentam terem sido ignorados por juiz. Clique para visitar o dossiê Face Oculta

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

Os quatro médicos que têm seguido o sucateiro Manuel Godinho vão fazer, na próxima semana, uma queixa conjunta à Ordem dos Médicos por terem sido alegadamente ignorados quanto à gravidade da situação clínica do único preso preventivo do processo Face Oculta, reiterando correr riscos de vida.

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O estado de saúde de Manuel Godinho agravou-se nos últimos dias. Os médicos visitaram-no na prisão de Aveiro, tendo, de acordo com os exames, confirmado não só a "manutenção da patologia já detetada o mês passado, como o "agravamento geral" do seu estado de saúde.

O clínico geral e os três especialistas em cardiologia, diabetes e psiquiatria contestam o facto de o Tribunal Central de Instrução Criminal ter ignorado as conclusões de uma perícia do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), que aponta para "acrescidos riscos de morbi-mortalidade" de Manuel Godinho.

Com problemas de diabetes e coração, Manuel Godinho sofreu várias crises agudas desde que foi preso, a 28 de Outubro de 2009, e teve que ser transportado de urgências duas vezes para o hospital de Aveiro e chegou a estar internado no hospital prisional de Caxias.

Esta semana, o juiz Carlos Alexandre, que dirige a instrução do processo Face Oculta, recusou um pedido da defesa do sucateiro de Ovar para que ele fosse libertado por causa do seu estado de saúde precário. A posição do Ministério Público de manter o arguido preso foi subscrita na íntegra pelo juiz. O procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) citou a perícia médico-legal feita pelo INML, mas omitiu a sua principal conclusão, de risco de morte, segundo constataram os quatro médicos.

Na queixa para a Ordem dos Médicos, o clínico geral Valdemar Gomes, o psiquiatra Mota Cardoso, o cardiologista João Sá e o endocrinologista Camilo Morais declinam "quaisquer responsabilidade na eventual morte" de Manuel Godinho. De acordo com a perícia do Instituto Nacional de Medicina Legal, a diabetes do preso "não se encontra clinicamente compensada".

Confrontados com a omissão do alerta (acrescidos riscos de morbi-mortalidade) da perita Rosário Silva, do Instituto Nacional de Medicina Legal, os médicos destacam na sua queixa que "todo o relatório" do INML está "estribado" não nos seus relatórios de especialistas particulares, mas exclusivamente em exames feito por organismos públicos.

O relatório da perícia médico-legal, a que o Expresso teve acesso, baseia-se na observação direta de Manuel Godinho pela perita do INML e no historial clínico do arguido desde 2002 em instituições públicas de saúde: Hospital Prisional de São João de Deus (Caxias), Hospital Francisco Zagalo (Ovar), Hospital D. Pedro (Aveiro) e Serviços Clínicos do Estabelecimento Prisional Regional de Aveiro.