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Manuel Godinho: "O pior já passou"

Manuel Godinho quando falava esta tarde ao Expresso, no átrio do Tribunal de Aveiro

Joaquim Gomes

"Mas o que me custa mais é ouvir as minhas próprias escutas telefónicas...", diz, em exclusivo ao Expresso, o único arguido do Face Oculta que esteve preso preventivamente. Clique para visitar o Dossiê Face Oculta

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

Manuel Godinho afirmou esta tarde ao Expresso que "ouvir as minhas próprias escutas telefónicas é o que mais me custa neste julgamento".

O principal arguido do processo Face Oculta falava ao Expresso antes da audiência desta tarde, nas suas primeiras afirmações desde que começou o julgamento e no qual, pelo menos para já, não quis prestar declarações aos magistrados.

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O sucateiro de Ovar começou por revelar "ser a primeira vez que me vejo numa coisa destas, mas pensava que seria mais difícil enfrentar um julgamento, embora me custe estar a ouvir as minhas próprias escutas. Mas enfim, são contingências da justiça".

Manuel Godinho mostra-se "agradavelmente surpreendido" no final da primeira semana do julgamento do processo Face Oculta, porque "tenho sido muito bem tratado pelos magistrados, como o senhor juiz presidente, mas também dos dois procuradores do Ministério Público não tenho qualquer razão de queixa, porque estão a fazer o seu trabalho", disse, falando em exclusivo para o Expresso.

Segundo o industrial de sucatas de Ovar "o pior já passou", explicando que "para quem passou 16 meses preso, isto é, a ter de dormir mais de 400 noites dentro de uma prisão, sem grande oportunidade de dizer de minha justiça, isto agora não custa tanto".

"Acredito na Justiça"

Manuel Godinho diz que "finalmente vai poder ser esclarecido tudo e desfazerem-se os mal-entendidos que terão levado a esta acusação".

"Eu acredito na Justiça, apesar de não concordar com a maioria das coisas que se disseram a meu respeito este tempo todo", prossegue, revelando "não ter razão de queixa das pessoas da PJ de Aveiro e do Ministério Público, porque tratam-me sempre com respeito".

Recusando-se a comentar este julgamento "não só pelo respeito para como os magistrados", como, acentuou, "para não estar a perturbar o andamento dos trabalhos", Manuel Godinho adianta:  "A minha principal preocupação é não pressionar a Justiça, apesar deste julgamento ser público".

"Depois de tantas coisas que se escreveram era importante que houvesse julgamento, pois eu quero provar a minha inocência a todos os níveis, mas nunca ganhando este caso na secretaria", diz, salientando a importância deste julgamento "até para a minha família" e "para acalmar a vida empresarial, já que estas notícias têm vindo constantemente a afectar a imagem das empresas aqui arguidas".