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Expresso

Especial polémica Manuel Pinho

"Excesso" de Pinho obriga Governo a pedir desculpas

Se o gesto é tudo, o estado da Nação política é de grande nervosismo e os 'chifres' feitos pelo ministro Manuel Pinho a um deputado comunista criaram um problema ao Governo. Santos Silva teve de pedir desculpas formais ao PCP e ao BE.

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"Excedi-me e peço desculpa". Em tom de sussurro, o ministro da Economia saiu do plenário da Assembleia da República para assumir perante a Comunicação Social que passou das marcas num confronto verbal com o PCP e o Bloco de Esquerda sobre as minas de Aljustrel.

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Em causa estava a situação dos trabalhadores das minas, tema suscitado por Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, e aproveitado pelo líder parlamentar do PCP, que fez Manuel Pinho perder a cabeça.

Bernardino Soares contestou o ministro, que se vangloriava de ter defendido mais de 200 postos de trabalho nas minas, acusando-o de ter ido para Aljustrel "distribuir cheques pelo clube de futebol" local. E Manuel Pinho não se conteve: com os dois dedos indicadores em riste e encostados à testa, simulou um chifre e apontou para o comunista.

O sururu instalou-se na sala e Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, teve mais uma vez de fazer de bombeiro. "Todos temos excessos e em nome do Governo tenho a dizer que já telefonei ao senhor deputado Bernardino Soares para lhe pedir desculpa por este incidente e agradecer-lhe a sua compreensão e colaboração para sanarmos o que aconteceu".

Posteriormente, o ministro dos Assuntos Parlamentares alargou o pedido de desculpas ao líder do Bloco, de quem recebeu um telefonema a protestar pelo comportamento de Pinho - segundo Louçã, "uma marca degradante do ponto de vista do comportamento do Governo", porque "um ministro que não sabe estar não pode estar".

Enquanto o BE e o PCP disputavam o protagonismo neste confronto com o Governo, Manuel Pinho aproveitou para falar aos jornalistas, assumindo o erro e insistindo que passou "muitas noites sem dormir" por causa das minas de Aljustrel. Com o incidente de hoje, Pinho arrisca-se a tirar algumas horas de sono aos colegas do Governo.