Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Especial comemorações do 25 de Abril de 1974

25 de Abril: Jaime Gama defende estabilidade institucional

  • 333

O presidente da Assembleia da República afirmou hoje que, em tempos de crise, a estabilidade no relacionamento institucional é "imperativo de Estado".

O presidente da Assembleia da República advertiu hoje que a estabilidade no relacionamento institucional é "imperativo de Estado" na actual conjuntura de crise e que nenhum órgão de soberania pode limitar-se a endossar responsabilidades a terceiros.



As palavras de Jaime Gama foram proferidas na sessão solene dos 35 anos do 25 de Abril na Assembleia da República, perante o chefe de Estado, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates, entre outros titulares de órgãos de soberania.



Discursando após os representantes dos partidos, o presidente da Assembleia da República fez uma intervenção curta mas cheia de recados.



"As dificuldades que temos pela frente exige instituições que sejam factor de confiança e o primeiro dos factores de confiança é dado pela forma como as instituições actuam e se relacionam entre si. A estabilidade no relacionamento institucional é, pois, um imperativo do Estado, reclamado pela deterioração dos resultados económicos, pois sem ela não se gerarão as políticas susceptíveis de apoiar e enquadrar a necessária retoma", avisou.



Nesse sentido, o presidente da Assembleia da República recomendou "prudência num debate político mais atento à realidade e ao rigor de análise, voltado para soluções e não baseado num fogo de artifício de palavras, ampliado pelo grafismo dos títulos ou pelo som e imagens estridentes, sempre recurso de quem se afigura mais certeiro a manipular do que a resolver, a fazer ou a querer fazer".



Para o presidente da Assembleia da República, na actual conjuntura, todos os órgãos de soberania deverão ser "convocados ao encargo" de "apontar um rumo".



"Ninguém com mandatos públicos deverá colocar-se fora deste quadro, construir um argumentário de refúgio para endossar exclusivamente a terceiros o peso das decisões ou promover miragens de optimismo irracional destituídas de sentido", disse.



Neste contexto, Gama frisou que Portugal se vê agora confrontado "com um ano de calendário eleitoral intenso", com "desafios de ordem económica e social de enorme amplitude".



"Desafios que nos obrigam a um caminho estreito, com rota balizada por parâmetros nada flexíveis", frisou o presidente da Assembleia da República.



Num momento em que a Assembleia da República discute medidas de combate à corrupção, Jaime Gama fez ainda um veemente apelo ao sentido de prudência, inclusivamente no plano legislativo, por parte dos órgãos de soberania e, em particular, por parte de todas as bancadas.



"Precisamos de sentido de prudência para decidir com serenidade as questões relevantes - inclusive no plano legislativo - e não de correrias a contra relógio de um calendário eleitoral sempre mais atento aos efeitos de comunicação e da imagem do que ao mérito ponderado das deliberações justas em nome do interesse geral", afirmou.