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Dia D de Sócrates

Passos Coelho: "Tem-se diabolizado o FMI"

Pedro Passos Coelho, esta noite, em entrevista à SIC disse que a crise política se arrastava há muito tempo e que a queda do Governo era inevitável. Diz que estava pronto para apresentar uma moção de censura e ainda que se tem "diabolizado o FMI". (Vídeo SIC no fim do texto) Clique para visitar o dossiê Dia D de Sócrates

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Na primeira entrevista após a demissão do Governo socialista, o líder do maior partido da oposição veio à televisão dizer que a queda do Executivo era inevitável dada a "falta de confiança" do Estado português junto das instituições internacionais e os mercados financeiros. Mais ainda, afirmou Pedro Passos Coelho o Governo tinha perdido a confiança das forças políticas por se ter "comportado com deslealdade".

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Passos Coelho acusou José Sócrates de ter estado "3 semanas a negociar com uma missão da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu" sem dar disso conta ao Presidente da República, ao Parlamento e aos parceiros sociais. Por isso, admite que "se o Governo não tivesse apresentado a sua demissão, o PSD teria apresentado uma moção de censura".

"O Governo foi digno de censura", disse o líder do PSD, considerando que o primeiro ministro "interpretou bem o que o Parlamento lhe disse" e por isso "demitiu-se".

Para além das críticas ao Governo e ao primeiro-ministro socialista, Pedro Passos Coelho fugiu às perguntas mais directas sobre a actual situação do País nomeadamente todas as que se referiam às medidas concretas que o PSD pretende adoptar como forma de combate à dívida pública. Insistindo apenas na necessidade de "ser o Estado a dar o exemplo" e de "cortar na despesa pública" antes de avançar para cortes nos salários e nas pensões mais baixas. A hipótese de um aumento de impostos  - e do IVA em particular - acabou por ser habilmente evitada por Passos Coelho.

"Estamos a ultimar um compromisso a oito anos para o País", disse ainda o líder do PSD que admite concorrer às eleições com o objectivo  de "lutar por uma maioria absoluta". No entanto, tal "não invalida levar para o Governo outros partidos e outras personalidades", disse ainda, abrindo a porta a coligações pós-eleitorais.

A eventual vinda do FMI foi, naturalmente, outro dos pontos abordados na entrevista conduzida pela jornalista Clara de Sousa. Para Passos Coelho "tem-se diabolizado a questão do FMI porque o primeiro-ministro a tornou uma questão de honra do Estado", disse na SIC, sublinhando que "Portugal faz parte do FMI" e que o organismo "existe para ajudar os países a superar crises de financiamento". "Isso já aconteceu anteriormente", sublinhou.