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Conflito Israel – Palestina

Protesto contra Israel junta judeus e árabes em Nova Iorque

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Manhattan foi ontem palco de uma estranha manifestação, que juntou árabes e judeus num protesto  contra os bombardeamentos de Israel na faixa de Gaza.

Valdemar Cruz (texto) e João Carlos Santos (fotos), nos Estados Unidos

O impossível aconteceu. Uma concentração marcada para protestar contra os bombardeamentos de Israel na faixa de Gaza e contra a cobertura dada pelos Estados Unidos da América a todas as decisões do estado israelita, juntou na tarde de ontem judeus e árabes na Union Square, em Nova Iorque.

A princípio eram apenas quatro. Sob a neve intensa que àquela hora caía sobre Manhattan, com longas barbas e vestidos com a característica indumentária que caracteriza uma certa forma de reivindicar a condição judaica, seguravam uma pequena faixa em que afirmavam a oposição entre judaísmo e sionismo.

Ao lado, num pequeno palco, sucediam-se os oradores apoiantes da causa palestiniana, sempre com intervenções curtas e incisivas. Na véspera da tomada de posse de Barack Obama não faltavam as referências à esperança aberta pelo novo presidente quanto a uma possível nova orientação política dos EUA, mesmo na cena internacional. Aqui a audiência dividia-se entre os assobios descrentes e o silêncio expectante.

A manifestação teve lugar em Manhattan

A manifestação teve lugar em Manhattan

João Carlos Santos

À volta da zona de concentração agrupavam-se vários núcleos de elementos da polícia de Nova Iorque. Muito visíveis, até pelo número, muito intervenientes, mas muito cuidadosos para evitarem qualquer incidente.

Caía já a noite em Union Square quando o inesperado acontece. Um grupo de jovens com os típicos lenços palestinianos aproxima-se dos também jovens judeus e sugeres-lhes que se deixem fotografar em conjunto por um amigo. Aceite o convite, não pararam de disparar os flashes.

Logo depois chegavam outros elementos da comunidade judaica e as fotos continuavam. Um deles explicou ao Expresso aquela presença num local de manifestação contra as intervenções de Israel em Gaza com a afirmação de que "o mundo tem de perceber que ser judeu não significa estar ao lado das políticas de Israel". Em sua opinão "os sionistas estão a destruir a imagem dos judeus no mundo com esta política destinada a concretizar uma limpeza étnica do povo palestiniano".

Na opinião daquele jovem pertencente a um sector da comunidade judaica nova-iorquina, "os sionistas sempre foram heréticos e rejeitam os princípios fundamentais da nossa fé, ao mesmo tempo que têm a arrogância e a ousadia de pretender basear o seu comportamento na sagrada Torah".