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Expresso

Desaparecimento de Madeleine McCann

Robert Murat processa jornalistas portugueses

Robert Murat, o cidadão britânico constituído arguido no caso "Madeleine McCann", accionou duas queixas-crime contra jornais portugueses. A seguir vêm as televisões.

Mário Lino

Robert Murat avançou com dois processos-crime por difamação e devassa da vida privada contra o "Jornal de Notícias" e o "Correio da Manhã", e prepara-se para entrar na Justiça contra outros media portugueses, isto depois de já ter processado mais de uma dezena de jornais britânicos.

Segundo adiantou ao Expresso Francisco Pagarete, advogado de Robert Murat, os próximos "alvos" serão o jornal "24 Horas" e as estações de televisão TVI e RTP, através de processos-cíveis, em que serão solicitadas indemnizações por danos morais, em montante não especificado. "Foi dita e escrita muita coisa sobre o Robert, talvez com a pressão de noticiar, disseram muita coisa que não é correcta. Algumas das coisas escritas são crime", garante Francisco Pagarete. 

O Expresso sabe que, no caso da TVI, o processo tem por base a intervenção de um jornalista que terá adiantado que Murat possuía filmes de carácter pedófilo ou de sexo com animais. "Ele foi julgado pela imprensa e as pessoas devem ser responsáveis pelo que dizem e escrevem", acrescenta o advogado, apenas responsável pelas acções em Portugal. Recorde-se que em Inglaterra, Murat processou 13 jornais e uma estação de televisão e pede uma das maiores indemnizações na história do Reino Unido: 2 milhões de libras, cerca de 2,5 milhões de euros.  

Francisco Pagarete diz que Robert Murat ainda não conseguiu retomar uma vida normal - aliás, ausentou-se por uns dias para evitar os media nesta altura - e teve de mudar os hábitos para não ser perseguido pelos jornalistas. "Ele era uma pessoa feliz, que queria sempre ajudar e foi assim que ele acabou por se envolver neste caso, em primeiro lugar", refere.

O advogado continua a garantir que Robert está totalmente inocente e afiança que não existem provas que o liguem ao desaparecimento da criança: "Nunca vi nada que pudesse confirmar Robert como suspeito. O que posso dizer é que os resultados dos inquéritos e das buscas no carro e na casa tiveram resultados satisfatórios e ele está confiante", admite.

"Tenho pena de ter deixado escapar o 24 Horas, no processo-crime, mas já tinha passado um dia sobre os seis meses", acrescenta.

A vida de Robert Murat tem sido alvo de grande interesse dos media, desde que se tornou suspeito no caso do desaparecimento de Madeleine McCann a 3 de Maio. Murat foi constituído arguido a 14 de Maio de 2007, após a queixa de uma jornalista inglesa, que achou o seu comportamento "estranho". O cidadão, de nacionalidade britânica, chegou a ser contratado como tradutor pelo Ministério Público.