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Expresso

Eleições nos EUA

McCain tem maior preferência em Portugal

A sondagem do German Marshall Fund revela que Obama é o preferido dos europeus. Portugueses apoiam mais a NATO e as operações no Afeganistão.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A esmagadora maioria dos europeus prefere Barack Obama a McCain como futuro Presidente americano, mas Portugal é o país europeu onde a taxa de preferência pelo candidato republicano é mais elevada, segundo os dados revelados hoje pela Transatlantics Trends, um inquérito anual à opinião pública europeia e americana que analisa as relações transatlânticas.

De acordo com esses dados, embora 73% dos portugueses vote por Obama, 35% prefere McCain, seguido pela Holanda, Espanha e Reino Unidos (todos 33%). Ao contrário, o país onde a taxa de preferência é mais alta em relação a Obama é a França (85%), curiosamente também seguida pela Holanda e Alemanha (83%).

No total, 69% dos europeus prefere Obama, enquanto nos Estados Unidos, as preferências estão praticamente empatadas, com ligeira vantagem para McCain. Este recolhe 56% das opiniões favoráveis e Obama 54%.

Quase metade dos europeus (47%) acredita no entanto que as relações entre os dois blocos irão melhorar se Obama for eleito (e apenas 11% o crê no caso de ser McCain o próximo Presidente americano).

O destaque dos portugueses

Os portugueses destacam-se igualmente neste inquérito, que estuda a opinião em 12 Estados europeus, relativamente à NATO, Rússia e estreitamento das relações entre EUA e Europa.

Assim, Portugal é o terceiro país cuja opinião pública mais apoia a contribuição de tropas para as operações militares da NATO (68%, depois do Reino Unido e da Holanda), enquanto a média europeia é de 57%. Os mesmos três países são igualmente aqueles que mais apoiam as operações de combate no Afeganistão (53% no caso de Portugal).

Em relação à Rússia, os portugueses (e os espanhóis) são também aqueles que registam a mais elevada taxa de aprovação à política de fornecimento de assistência e segurança aos Estados vizinhos da Rússia (80%), mas também são os que mais apoiam a restrição da cooperação com este país nas organizações internacionais (51%). A média europeia relativamente ao primeiro indicador é de 67% (americanos 58%) e quanto ao segundo é de 38% (americanos 47%).

Registe-se no entanto que o inquérito foi levado a cabo entre 4 e 24 de Junho, antes dos acontecimentos verificados no Cáucaso.

Quanto ao estreitamento de relações entre a Europa e os Estados Unidos, Portugal é o último país europeu a considerar essa vantagem (22%), embora ela tenha aumentado relativamente a 2006, quando essa maior aproximação era vista como muito favorável por 19% dos inquiridos. Uma taxa inferior só na Turquia (12%).

No geral, apenas 31% dos europeus considera que as relações transatlânticas devem estreitar-se. À semelhança dos anos anteriores, a maioria dos europeus continua a pensar que a Europa deve assumir um papel mais independente em questões de segurança e assuntos diplomáticos, com maior autonomia em relação aos EUA.

O inquérito revela ainda que tanto europeus (57%) como americanos (67%) consideram que a Europa e os EUA têm valores em comum que os deve compelir a cooperar na resolução de problemas internacionais. Terrorismo e problemas económicos internacionais estão no topo das suas preocupações, com os europeus a revelarem-se mais inquietos com o primeiro (50%) e os americanos com o segundo tema (44%), colocando-os no topo das questões com as quais o próximo presidente dos EUA e os líderes europeus devem lidar.

Turquia à parte

Quanto à Turquia, registe-se que a tendência de "arrefecimento" demonstrada em relação à UE desde 2004 se inverteu em 2008. A maioria dos turcos encara a adesão como um cenário positivo (42%), ao passo que 45% dos europeus acham que essa adesão não é nem boa nem má. No entanto, 60% dos europeus (e 48% dos americanos) consideram provável a perspectiva da Turquia vir a ser um estado-membro da União.

Curiosamente, 48% dos inquiridos turcos pensa que o seu país deve agir sozinho em assuntos internacionais, comparado com 20% que defendem uma articulação com a UE, 11% com o Médio Oriente, 3% com os EUA e 1% com a Rússia.

O Transatlantic Trends é um projecto do German Marshall Fund dos Estados Unidos e da Compagnia di San Paolo em Turim, Itália, que conta com o apoio da Fundação Luso-Americana (Portugal), da Fundación BBVA (Espanha) e da Tipping Point Foundation (Bulgária). Avalia a opinião pública nos Estados Unidos e em 12 países europeus: Alemanha, Bulgária, Eslováquia, Espanha, França, Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Roménia, Turquia e Reino Unido.

O inquérito foi conduzido em Portugal pela TNS Opinion e, tal como nos outros países, inquiriu uma amostragem de 1000 homens e mulheres acima dos 18 anos, entre 4 e 24 de Junho.