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Educação em crise

Prof's na rua contra a ministra

O processo de avaliação dos professores leva uma vez mais os docentes para a rua. Hoje são esperados mais de 100 mil em Lisboa.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Da "indignação" à "exigência", milhares de professores preparam-se para invadir hoje Lisboa, a partir do Terreiro do Paço.

"Será um mar de gente superior aos 100 mil que se reuniram a 8 de Março na marcha pela indignação", garantia há dois dias Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (FENPROF), uma das organizações da Plataforma Sindical que convocou o protesto.

Suspenda-se este modelo de avaliação" de desempenho imposto pelo ministério da Educação é a palavra de ordem.

A contestação a este modelo de avaliação tem crescido de tom e de número. Pelo menos centena e meia de agrupamentos ou de escolas já assinaram moções para que o processo seja suspenso. E "cerca de 10% das escolas estão paradas, assumidamente, porque adiaram para Janeiro o que o ministério queria que fizessem até Outubro", diz Mário Nogueira.

"A bola de neve já não pára, a minha única dúvida é se na bola de neve não vão também os membros desta equipa ministerial", ironiza o sindicalista. E acrescenta que se se repetir a marcha dos 100 mil professores (existem 140 mil docentes no total), não percebe "se daí não se tirarem consequências políticas". O que, na sua opinião "seria uma estratégia suicida do Governo" em vésperas de eleições.

Porém, aparentemente, os governantes da 5 de Outubro continuam a assobiar para o lado. "Há muitos protestos. Pois há. Se o juízo político fosse condicionado por protestos, nenhum Governo governaria", afirma o secretário de Estado da Educação.

Procurando sublinhar a ideia de que a opinião pública está com o Governo, Valter Lemos diz que "as medidas de política educativa são sufragadas pelos eleitores e não pelos professores" e defende que este sistema de avaliação "é mais justo, equitativo e e permite maior defesa dos professores".

O governante assume que estão "sempre atentos às manifestações", tal como estão atentos às moções, mas procura diminuir a sua importância. Diz que receberam "menos de 50 moções que trazem, sobretudo, equívocos de procedimentos" e garante que "as escolas estão a trabalhar normalmente" e que não há nenhuma que tenha parado.

Contudo, os casos sucedem-se. Por exemplo, no agrupamento de escolas Maria Alice Gouveia, em Coimbra, o Conselho Pedagógico declarou o processo suspenso.

Segundo o presidente do Conselho Executivo da escola-sede, João Gaspar, "já vão na quinta versão dos instrumentos de registo" porque vão percebendo que não dão resposta a todas as situações. E recorda que que "a avaliação simplificada aplicada aos contratados no final do ano passado correu mal".

Depois de ter cumprido os prazos "surgiram novos diplomas que deitaram tudo por água a baixo". Por isso, acha que "agora se deve esperar alguma seriedade, pausa e reflexão", porque "os professores querem ser avaliados, mas não com este modelo".

Entretanto, o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical trocam acusações. Valter Lemos e a ministra Lurdes Rodrigues acusam os sindicatos de não cumprirem o Memorando de Entendimento (assinado em Abril), no qual acordavam, entre outras coisas, avançar com a avaliação e ajuizar o modelo no final do ano lectivo.

Por seu lado, Mário Nogueira defende que "ficou expresso no documento" a posição da Plataforma Sindical e que estão "disponíveis para antecipar" essa negociação. Contudo, a ministra mostra-se irredutível tendo afirmado ao Expresso que "antes de Julho não há nenhum processo negocial".

Com os movimentos cívicos não sindicalizados a criticarem a assinatura desse memorando e a bola de neve a surgir nas escolas apelando à suspensão do processo, a Plataforma Sindical, não teve outra solução que não reagir e apelar: "Suspenda-se".