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Caso Freeport

Técnico oficial de contas desconhece pagamentos para aprovação do Freeport

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António José Sequeira Pereira, ex-funcionário da Smith & Pedro, diz que "tudo o que lhe passou pelas mãos foi transparente". Clique para visitar o dossiê Caso Freeport

Um técnico oficial de contas, que trabalhou na empresa Smith & Pedro, declarou hoje no julgamento do caso Freeport desconhecer a existência de qualquer tipo de pagamento em dinheiro relacionado com a aprovação do outelet de Alcochete.

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António José Sequeira Pereira disse no seu testemunho, no Tribunal do Barreiro, conhecer o arguido Manuel Pedro desde a adolescência. Além de ter desempenhado funções de Técnico Oficial de Contas (TOC) na empresa de consultadoria Smith & Pedro, foi membro da Assembleia Municipal de Alcochete, pelas listas do CDS/PP.

Questionado pelo procurador Vítor Pinto sobre se, na altura, ouviu falar de pagamentos em dinheiro ou de exigências nesse sentido por parte de algum partido político, Sequeira Pereira disse "não ter conhecimento" de nenhuma situação desse tipo.

Crime de tentativa de extorsão

À saída do tribunal, a testemunha disse aos jornalistas que "tudo o que lhe passou pelas mãos foi transparente" e que "em qualquer lado há levantamentos em ´numerário", não tendo conhecimento de qualquer levantamento que leve a suspeitar de alguém.

Disse ainda "não compreender" o crime de tentativa de extorsão imputado a Manuel Pedro e Charles Smith, os únicos arguidos do caso Freeport.

A última testemunha do dia a ser ouvida foi a diretora financeira do Freeport Helena Alexandra Guerreiro Riahi, que descreveu o trabalho prestado pela Smith & Pedro entre 2004 e 2007, altura que que cessou a colaboração.

Lembrou que Manuel Pedro chegou a ser administrador do Freeport até 2007 e explicou como se desenrolava o mecanismo de faturação e o pagamento de despesas pelo Freeport, com as faturas mais elevadas a exigir a assinatura de dois administradores que estavam em Londres.

Tio de José Sócrates depõe quinta-feira

Esta última testemunha fez-se acompanhar de advogada, que à saída manifestou a disponibilidade de colaborar com o tribunal.

Face aos depoimentos prestados em audiência de julgamento, a advogada de defesa Paula Lourenço raramente tem contra-interrogado as testemunhas, tendo no período da manhã alertado o tribunal para o facto de perguntas do Ministério Público fugirem ao objeto do processo: o crime de tentativa de extorsão de que os seus clientes estão acusados.

O julgamento prossegue na quinta-feira com o interrogatório de mais testemunhas, uma delas o engenheiro reformado Júlio Monteiro, tio do ex-primeiro-ministro e antigo ministro do Ambiente, José Sócrates.