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Por que motivo este é mesmo um dos mergulhos mais difíceis do mundo (e como o resgate do treinador pode ser o mais difícil)

LILLIAN SUWANRUMPHA

Dois dias, oito crianças resgatadas. O saldo das operações de resgate na Tailândia é francamente positivo. Mas, apesar da experiência dos mergulhadores envolvidos, o salvamento das restantes quatro crianças e do treinador continua a ser de alto risco. Isso viu-se aliás com a morte de um mergulhador veterano na sexta-feira. Partindo da sua experiência pessoal, um mergulhador português fala-nos dos riscos associados a esta missão - o relato é meticuloso e ilustrativo da extrema dificuldade da operação em curso

Hugo Silva foi com um grupo de amigos em agosto de 2017 fazer pesca submarina ao largo da Ilha de São Jorge, nos Açores. Como habitualmente, estavam a mergulhar em duplas. O parceiro de Hugo era Rogério Cruz. A dada altura, Hugo sugere ao amigo mudarem de local e sobe para o barco. Rogério diz que vai fazer só mais um mergulho e pede a Hugo que recolha as outras pessoas. Reunida a restante equipa, Hugo perde o rasto a Rogério até que alguém avista ao fundo o que acredita ser a sua cabeça. Era, na verdade, uma boia abandonada, com limos à volta, que ao longe podia facilmente parecer a cabeça do companheiro.

“Só o localizámos ao fim de vinte e poucos minutos e aí já não havia nada a fazer. Comunicámos às autoridades mas os poucos meios de salvamento disponíveis estavam noutra ilha. Era uma zona profunda e com correntes. Não podíamos arriscar e deixar ali o corpo porque podia ser arrastado”, conta Hugo Silva ao Expresso. As autoridades ligaram para o Ministério Público a expor a situação e decidiu-se que, como Hugo “era o único no local com formação”, podia trazer Rogério para cima. “E então tive de trazer esse meu amigo, já cadáver”, diz o instrutor de mergulho de 40 anos, com formação em mergulho de cavernas.

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