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A felicidade é uma coisa sem muito a acontecer

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Gostar ou não gostar do novo disco de Florence + The Machine depende se já estamos ou não na fase de apreciar Ricardo Reis

Ana França

Ana França

Jornalista

Como é que foi o vosso junho? Para a Florence foi o mês em que o amor se tornou um “ato de rebeldia”. Esta confissão é um exemplo desta nova Florence mais direta no contacto com o que lhe vai lá dentro, mais resiliente, já sem poder esconder que é adulta sob pena de se tornar matéria de chacota. Ainda assim, depois de muito ouvir o seu novo “High as Hope”, a menina dos cabelos ruivos, dos vestidos à Henri de Toulouse-Lautrec, não parece assim tão liberta das suas inseguranças, nem do seu negrume nem daquele abandono ao que Deus quiser que sempre caracterizou, para grande sucesso, as suas músicas. O novo disco dos Florence + The Machine é menos teatral, talvez até menos claustrofóbico - há canções em que a voz dela prolonga-se ao ponto de convocar imagens de um riacho fresco a correr calmo mas desimpedido - mas as dores antigas estão cá, só que agora têm de rasgar menos camadas para chegar à superfície da música.

A crítica diz que este álbum certifica Florence Welch para o futuro: a voz sólida, às vezes aguda outra vezes profunda, que ela sempre teve pode existir sozinha, sem as camadas de pó-de-arroz, órgãos fantasmagóricos e arranjos complicados sob as quais se tinha escondido até aqui. A crítica diz que Florence está, se não de bem com ela mesma, pelo menos de melhor, mas um álbum que acaba com ela a dizer, sem qualquer acompanhamento instrumental, que a felicidade é uma coisa onde não acontece nada de especial parece-nos mais um tratado sobre dores de crescimento do que uma nova Florence. É um novo nível de vulnerabilidade esculpido como filigrana por Emile Haynie (Lana del Rey, por exemplo).

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