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Polícias acusados de agredir e dizer “sangue de preto, que nojo” desmentem tudo

Foto Miguel A. Lopes/Lusa

Tribunal de Sintra começou a julgar 17 agentes da PSP acusados de agredir e ofender 17 jovens do bairro da Cova da Moura. Versões das vítimas e dos suspeitos não podiam ser mais diferentes

Quantas histórias cabem numa história? “‘Não Matem a Cotovia’ seria uma boa metáfora se não estivesse já provado que os arguidos eram afinal vítimas.” Lúcia Gomes, advogada dos jovens que se queixam de brutalidade policial, abriu a sessão com uma referência ao livro de Harper Lee em que um advogado tem a tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violação. Fê-lo por seguir a acusação do Ministério Público (MP), que diz ter provas de que 17 agentes da PSP agiram de forma deliberadamente “cruel” sobre seis jovens por acharem que estes “tinham nascido com a cor errada”. A advogada invocou provas periciais e testemunhais para afirmar que o papel dos jovens, incriminados pela polícia, é o de vítimas.

Os factos remontam a 5 de fevereiro de 2015, quando, segundo a acusação, um jovem seguia a pé pelo bairro da Cova da Moura e se cruzou com uma carrinha da PSP de Alfragide, Amadora, responsável pelo policiamento do bairro. De acordo com o despacho de pronúncia lido esta terça-feira pela juíza, um dos agentes ia armado com uma shotgun e saiu da carrinha para confrontar o rapaz, sem que nada o justificasse. O que se seguiu foi um “cenário de brutalidade”, que incluiu injúrias, palavras racistas e xenófobas e muita violência física, que acabaria por levar a vítima ao hospital.

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