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Os Arctic Monkeys são agora um daqueles amigos que têm filhos, trocaram de hobbies e de emprego e nem se deu por isso

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Alex Turner rendeu-se às calças de linho e ao cabelo comprido e protagonizou mais uma daquelas metamorfoses em que parece que se esqueceu de levar o resto da banda com ele. Os Arctic Monkeys já não são os miúdos despenteados de “I Bet”, nem os rockabillys renovados de “AM”. No disco novo, têm mais que ver com aqueles amigos de longa data com quem já não sabemos se valerá a pena combinar um café para pôr a conversa em dia. Haverá ainda alguma coisa que nos una ao mundo de Alex?

Todos temos um amigo daqueles que foram próximos em tempos e que agora encontramos por acaso, enquanto vemos montras ou jantamos com outro amigo comum. O encontro é amigável e, assim que se veem, ambas as partes fazem juras vãs: que têm mesmo de combinar, que desta vez é que é, que vão até pôr um lembrete no telemóvel e não se fala mais disso, que é preciso um café para pôr a conversa em dia.

É provável que a conversa nunca se repita e o tal café nunca passe de promessas vagas a que nunca se associou data concreta. Mas insistimos em fazê-lo porque são grandes amigos que já nos deram muito, apesar de termos de admitir que ultimamente não sabemos nada deles e que talvez já não haja grande coisa que nos una. Talvez o tal café servisse apenas para alimentar a nostalgia durante umas horas, até que cada um tenha de voltar à sua vida, depois de perguntar pelos pais, avós, filhos, trabalho e saúde, até se esgotarem as perguntas todas. Mas temos relutância em deixá-los ir, porque a vida já foi tão boa com eles – e há um bocadinho de nós que ainda tem esperança de poder replicar essa vida antiga.

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