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“O que Marcelo quer é esterilizar os jovens trans”

Júlia Pereira e Alice Cunha, fotografadas esta quinta-feira em frente ao Parlamento

Um dia após o veto de Marcelo Rebelo de Sousa à lei da autodeterminação da identidade de género - que foi aprovada no Parlamento no passado dia 13 - falámos com duas mulheres ‘trans’ para comentarem este ato político do Presidente. Estiveram à conversa na Assembleia da República Júlia Mendes Pereira, a primeira transexual dirigente de um partido português (BE) e codiretora da Ação Pela Identidade, de 27 anos, e Alice Azevedo da Cunha, de 22 anos, ativista trans membro dos coletivos Panteras Cor de Rosa e Transmissão

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

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Jornalista

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

O que pensam deste veto à lei do Presidente Marcelo?
Júlia Mendes Pereira: Ainda estou a ‘ruminar’ este veto. É muito recente e foi inesperado que viesse tão rápido. O Presidente disse que ia aguardar ter o decreto nas mãos, para poder refletir e tomar a sua decisão e no final de contas demorou apenas dois dias. Limitou-se a seguir a opinião pessoal e as indicações que lhe tinham sido dadas pela direita parlamentar e organizações que se manifestaram ao longo do debate com argumentos de cunho católico, transfóbicos, que não têm base científica ou baseados nas vidas e experiências concretas das pessoas trans. São só opiniões baseadas em preconceitos, transfobia, discriminação, estigma e manutenção de todas essas dimensões que o Presidente veio balizar e mostrar que a sua opinião era essa.

Alice Azevedo da Cunha: Eu não iria tão longe. Diria que o Presidente da República tem um papel muito simples no processo legislativo: garantir a constitucionalidade de uma lei. Como esta lei não vai contra a Constituição, o seu veto é ideológico. Não me surpreendeu. Mas é igualmente vergonhoso. Voltamos à época do aborto, em que o Presidente vetou ideologicamente.

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