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“Temos apenas a esperança de um dia recomeçar do zero”

A fuga dos habitantes de Afrin para as vilas mais a sul

d.r.

Há um mês o "Expresso" tinha falado com Hasan, um professor curdo de Afrin que nos relatou os primeiros dias do ataque turco a esta zona autónoma no nordeste da Síria. Passado pouco tempo Hasan deixou de nos responder. Regressou agora - a estas páginas e a um lugar mais seguro. Este é o segundo capítulo da sua história

Ana França

Ana França

Jornalista

No início de março, cerca de três meses depois da incursão das tropas turcas em Afrin, no nordeste da Síria, falamos com Hasan Mohamoud, um antigo professor de Inglês e de História que, antes do início da Guerra da Síria, tinha dado aulas na Universidade de Aleppo. De volta a Afrin, onde sempre houve paz, começou a ensinar inglês aos jovens curdos do secundário. Agora também Afrin está sob ataque. A Turquia vê as forças políticas e militares nesta zona como "terroristas". No dia 20 de janeiro entraram na região na tentativa de criar um corredor "livre de milícias" perto da sua fronteira. Nas últimas semanas de março aquele que é o segundo maior exército da NATO tomou a cidade, que também é capital de distrito, onde, por essa altura, milhares de curdos se tentavam proteger dos bombardeamentos que já tinham destruído as outras vilas e cidades à volta.

No dia 19 de março escrevemos a Hasan, pelo Whatsapp, para saber se estava ainda em Afrin com a sua família, em que condições viviam e para onde tencionavam fugir quando os turcos tomassem a cidade - algo que sempre foi apenas uma questão de tempo dada a impossibilidade de resistência dos curdos, mesmo com a ajuda dos militares sírios fiéis ao Presidente Bashar al-Assad, que se opôs à invasão turca e decidiu enviar forças para a zona. Afrin foi durante todo o tempo da Guerra da Síria um oásis de paz entre o caos que queimava as restantes cidades do território. Governada pelos curdos, foi quase sempre uma região livre de extremismos - quer os de al-Assad quer o dos fundamentalistas islâmicos. Hasan não respondeu. Dia 21 tentámos de novo e ele também não respondeu. Dia 22 respondeu apenas “Olá”. E parou de novo mais dois dias. Ao menos sabiamo-lo vivo.

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