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“Repitam: direitos humanos”

Há uma vedação de 175 kms na fronteira da Hungria com a Sérvia para travar a entrada de refugiados

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O tratamento dos refugiados e das minorias é o espinho na quase garantida reeleição de Viktor Orbán. A Europa não se conforma com a recusa do seu governo populista em receber estas pessoas e é possível que Hungria venha a enfrentar sanções. Com as eleições a chegarem - realizam-se este domingo -, traçamos o perfil de uma democracia “iliberal” que é acusada de não deixar respirar a sua sociedade civil. E falámos com o governo de Orbán, que garante que “nunca vai ceder”

Os contentores metálicos são tão pequenos que, quando ali se juntam cinco pessoas, quase é preciso pensar nas mais loucas acrobacias para poder circular. Não há ar condicionado e a temperatura no verão pode atingir os 40 ou mais graus. Lá fora, nos pátios de gravilha e terra batida, o espaço é mais amplo, mas também mais vazio e, independentemente de onde se esteja, persiste no campo de visão a imagem de uma vedação com arame farpado no cimo a toda à volta do recinto. Polícias e guardas armados revezam-se para fazer a patrulha e são poucos os momentos de silêncio e privacidade - há uma câmara de filmar em cada canto e há uma regra não escrita mas consentida que dita que as mulheres grávidas sejam escoltadas até ao hospital mais próximo de cada vez que precisam de fazer um exame médico, havendo até denúncias sobre polícias que insistem em assistir às consultas.

A descrição é feita ao Expresso por Gábor Gyulai, diretor do programa de refugiados do Comité de Helsínquia na Hungria, organização não-governamental ligada à defesa dos direitos humanos naquele país. Sobre as chamadas “zonas de trânsito” localizadas na fronteira húngara com a Sérvia e a Croácia e para onde são encaminhados desde março de 2017 todos os refugiados que chegam à Hungria e pretendem solicitar um pedido de asilo, Gábor Gyulai denuncia ainda a falta de acesso das crianças a “cuidados específicos” e a uma “educação adequada” e a falta de “atividades direcionadas para os adultos”. “Esta inatividade dos detidos multiplica o impacto negativo da detenção. A comunicação também é muito limitada, devido à ausência de tradutores.”

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