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Esse pântano que é ainda se ser e já não se ser um casal

É uma banda feita de duas outras, os eletrónico-emocionais Shearwater e os sonhadores deprimidos Cross Record. É um primeiro disco que pode ser o último porque dois dos membros estão a separar-se e não deve ser fácil ouvir a mulher com quem casámos a cantar sobre desamor. O disco homónimo dos Loma é uma viagem ora pelas florestas do Texas onde foi gravado, sons de vento, cigarras e pássaros incluídos; ora pelas estradas secundárias que envolvem as grandes cidades em encruzilhadas de alcatrão e nos fazem entrar em contramão nas autoestradas. Eletrónica entre o ambiental e quase dançante, é quanto já nos estávamos a começar a mexer que entra, abrupto, o ruído de uma frequência radiofónica sem cobertura naquela realidade paralela

Ana França

Ana França

Jornalista

CRÉDITOS: CONTA DOS LOMA NO FACEBOOK

É uma chatice que algo novo quase sempre venha sacrificar o que quer que estivesse até então no seu lugar. Às vezes a sensação é de purga, redenção, respira-se melhor como num bosque denso. Outras, o que é novo não suplanta, apenas substituiu, o que passou. O primeiro disco dos Loma, editado pela Sub Pop, passa-se entre estas duas realidades. É o produto de um casamento e os despojos de outro. Casam-se a voz de Emily Cross, dos Cross Record, as letras de Jonathan Meiburg, dos arrebatados Shearwater e ex-teclas dos brilhantes Okkervil River, e a avalanche instrumentalista de Dan Duszynski. Separam-se Emily e Dan, que durante a gravação do disco estavam a tratar do divórcio.

Em 2016, os Shearwater estavam em digressão com o disco Jet Plane and Oxbow e escolheram os Cross Records para abrir os seus concertos. À NPR, Meiburg explicou assim ao embrião deste projeto: “Adorei o som das músicas que faziam, que eram muito misteriosas e com uma espécie de final por concluir. Conhecemo-nos daquela forma em que as pessoas se conhecem quando passam meses a fio dentro de uma carrinha mas, ao mesmo tempo, ainda havia o tal mistério que eu quis explorar”.

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