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Expulsões de diplomatas? “É amiúde” mas “não provocará guerra”

Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev em 1986, pouco antes da expulsão de 80 diplomatas russos no ano

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Em 1986, três anos antes da queda do Muro de Berlim, Ronald Reagan expulsou 80 russos dos Estados Unidos na tentativa de diminuir a influência da rede de espiões a operar sob disfarce da diplomacia. Há poucos dias, Donald Trump mandou mais 80 diplomatas de volta a casa. É um método antigo de medir forças mas não é antecamâra de um conflito armado

Ana França

Ana França

Jornalista

As sirenes começaram a soar quando o Reino Unido decidiu expulsar de uma só vez 23 diplomatas russos como retaliação por aquilo que o governo de Theresa May acredita ter sido uma tentativa de assassinato de Sergei Skripal, ex-duplo agente, por mão russa em solo britânico. Mas isso era só o princípio daquilo que rapidamente se transformou numa bola de neve de mais de duas dezenas de países capaz de empurrar de volta à Rússia mais de 130 diplomatas, muitos suspeitos de trabalharem como espiões, espalhados por todas as latitudes - do Canadá à Austrália passando pela Lituânia, ex-membro do bloco soviético. É a maior expulsão coletiva desde os tempos da Guerra Fria e daí as parangonas alarmistas em boa parte da imprensa internacional - e é mais um episódio que acentua as feridas nas relações entre o Ocidente e a Rússia. “Este tipo de atuação dentro de um quadro de média-alta tensão é amiúde. Expulsar diplomatas é um direito de todos os países que mantêm missões diplomáticas noutros países”, diz ao Expresso Manuel Loff, historiador e professor no Departamento de História e Estudos Políticos e Internacionais na Universidade do Porto.

É preciso lembrar que a Rússia é vista pelo Ocidente como um dos mais sanguinários intervenientes na Guerra da Síria, como um país capaz de investir milhões na tentativa - e possível sucesso - de influenciar eleições nos Estados Unidos e como invasora de um país europeu, a Ucrânia. O que se passa na Síria, por exemplo, também nos lembra que a Guerra Fria teve muito de quente. Milhares de pessoas morrem em guerras patrocinadas ou pelo bloco comunista ou pelo bloco capitalista e o mesmo acontece agora.

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