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A evocação melancólica está a resultar

Há coisas que normalmente acontecem antes, durante e nos breves momentos após umas eleições mas que não aconteceram na Rússia nas semanas que antecederam as presidenciais deste domingo, nem tão-pouco nas horas a seguir. Não houve grande campanha, não houve um debate inclusivo e abrangente e também não houve dúvidas em nenhum dos momentos sobre qual o nome que sairia vencedor do escrutínio, Vladimir Putin. Mas há sempre histórias por contar, mesmo em eleições sem história: na embaixada de Kremlin em Lisboa, onde apareceram cerca de 900 eleitores, encontrámos russos que anseiam pela mudança mas também fervorosos amantes do “macho alfa”

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O resultado era esperado: são mais seis anos de mandato para Vladimir Putin - foi o que escolheram 76,7% dos russos, a maior vitória na história da democracia do maior país do mundo. A única coisa que preocupava Vladimir Putin era a afluência às urnas, que acabou por estar perto dos 60%. Nada de alarmante, portanto. Mas podia ser, já que nas redes sociais russas viam-se milhares de pedidos de boicote às eleições. Esta ação, iniciada por Alexei Navalny, o advogado líder do Partido Progressista e que um dia o Wall Street Journal descreveu como “o homem que Putin mais teme”, acabou por não ter uma grande expressão nas urnas, mas serviu para que milhares de pessoas demonstrassem o desagrado perante o atual líder russo. Mantinham a esperança utópica de conseguirem que a afluência fosse menor de 45%. Se assim fosse, seria necessário haver uma recondução e uma segunda volta nas eleições, o que poderia dar um novo alento aos milhares de russos que esperam por uma mudança.

“Não é a juventude que faz isso”, diz ao Expresso Oleg Belous, embaixador russo em Portugal, sobre este pedido de boicote, explicando que quem queria uma baixa afluência eram os Estados Unidos e o Reino Unido. “Somos acusados de ingerência nas eleições norte-americanas de 2016 e nós não o fizemos. Mas eles tentaram fazê-lo com as nossas”, garante. Para Belous, as acusações do Reino Unido do envenenamento de Skripal, o ex-espião russo que vivia na Grã-Bretanha desde 2010, também não passam de uma mentira e tentativa de interferir nas eleições russas. O embaixador diz que se tratou de provocação do Ocidente para criar uma imagem ilegítima do poder russo e descredibilizar as eleições. Mas assegura que, apesar de todas as tentativas, “nunca ninguém vai conseguir ditar à Rússia as suas regras de jogo”.

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