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A Guerra da Síria começou em Daraa. “Apesar das detenções e das mortes, apesar do horror, foi um dia bonito”

Ao contrário de muitas das províncias sírias ainda com presença de rebeldes, em Daraa eles estão em maioria

OTO WSAM ALMOKDAD/ REUTERS

Uma das guerras civis mais sangrentas do nosso tempo começou há sete anos no sudoeste da Síria quando um grupo de adolescentes, imbuídos do espírito revolucionário próprio da idade e dos ventos primaveris que sopravam do Egito e da Tunísia, escreveu uma frase numa parede de uma escola. Era uma frase desafiadora e por ela foram presos e torturados. Mas as suas famílias não se ficaram e o que começou por ser um grupo de pais, mães e irmãos à porta de uma prisão pedindo a libertação dos seus transformou-se uma sublevação histórica, que já vitimou quase meio milhão de pessoas. O Expresso falou com quem viu a Guerra na Síria nascer. Quem é que atirou a primeira pedra?

Eram adolescentes e queriam ser parte da revolução que naquela altura alastrava pelo Médio Oriente, desenraizando décadas de opressão. Ou pelo menos era isso que achavam que estavam a fazer quando escreveram com latas de spray preto nas paredes da sua escola, em Daraa, a frase que havia de mudar a Síria - e o mundo - para sempre: “É a sua vez, Doutor”.

“Vimos o que estava a acontecer no Egito, na Líbia e no Iémen e escrevemos aquelas palavras, mas não tínhamos noção das consequências daquilo”, conta ao Expresso Muawiyah Alsiyasana, um dos rapazes que, aos 13 anos, participou na brincadeira aparentemente inofensiva que viria a desencadear a guerra na Síria, em fevereiro de 2011. Um a um, os membros do grupo foram sendo detidos pela polícia nos dias seguintes. “Fomos presos e torturados pelas forças de segurança. Alguns dos meus amigos foram mortos pela polícia”, conta. Cerca de 20 dias depois, Muawiyah Alsiyasana deixou a prisão e juntou-se aos protestos que haviam crescido entretanto nas ruas da sua cidade precisamente por causa da detenção dos rapazes. Familiares, amigos e desconhecidos, solidários com a causa, não entendiam como é que tal gesto, mínimo em comparação com outros atos de rebelião que iam acontecendo nos países à volta, merecera uma resposta tão bruta por parte das autoridades e exigiam a libertação dos jovens.

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  • Já não é cedo para falarmos a sério sobre isto

    As estatísticas dizem-nos que a cada minuto que passa morrem cerca de 100 pessoas na Terra, perto de duas por segundo, e é muito provável que pelo menos uma delas morra por esta altura na Síria. E é por isso que a edição desta quinta-feira do Expresso Diário é todo sobre a Síria e é uma edição gratuita. O leitor pode fugir e ignorar ou pode ficar e ler. Faça o que quiser com o seu tempo. Mas já não é cedo para falarmos a sério sobre a Síria. Com textos de Bruno Vieira Amaral, Daniel Oliveira, Henrique Monteiro, Henrique Raposo, Ricardo Costa, Ana França, Joana Beleza, Joana Azevedo Viana, Helena Bento, Marta Gonçalves e Soraia Pires. Ilustrações de Dima Nachawi