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“Se compararem o meu rosto e o meu corpo antes e depois de ter sido torturada perceberão que há agora duas pessoas no mesmo corpo”

Linda Loaiza Lopez numa foto recente

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A venezuelana Linda Loaiza Lopez tinha 18 anos quando foi raptada, violada e torturada durante cerca de quatro meses num apartamento algures em Caracas, tendo de se submeter depois a 12 intervenções cirúrgicas. Desde então passaram-se 17 anos, durante os quais 58 juízes recusaram analisar o seu processo, que chegou agora ao Tribunal Interamericano de Direitos Humanos. O seu caso é, até ver, único, mas Linda garante que não está sozinha. “Há uma Linda Loaiza em cada mulher violentada por um estranho, pelo parceiro, pelo chefe ou por qualquer outra pessoa que a obrigue a fazer algo contra a sua vontade”, diz em entrevista ao Expresso

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Linda Loaiza sabe que nenhuma compensação ou indemnização será suficiente para “esconder as marcas físicas e emocionais” que tem, porque nenhuma poderá devolver-lhe o “rosto, o sorriso e os gestos” que perdeu graças à perfídia do seu agressor. “A dada altura, deu-me por morta e telefonou ao pai a informá-lo de que iria colocar-me dentro de um saco de plástico, porque eu já não servia para o que queria”. No entanto, sabe também, e isso ensinou-lho um jurista brasileiro chamado Antonio A. Cançado Trindade, que a compensação “alivia o sofrimento humano e torna a vida das vítimas e seus familiares mais suportável”. Foi por isso que a recusa de 58 juízes em ouvir o seu caso não a fez abrandar e levou-a ao Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, no mês passado.

Numa entrevista ao Expresso conduzida por e-mail, a venezuelana diz esperar que “os funcionários e as funcionárias do Estado” que agiram contra os seus direitos e da sua família “sejam responsabilizados e penalizados” por terem “compactuado” com o agressor. “Não se trata de uma vingança, só quero justiça.”

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