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Mulheres portuguesas trabalham em média 79 dias por ano sem serem remuneradas

Por cada emoji laboral feliz há uma história de desigualdade no mercado de trabalho: entre os portugueses com salários mais baixos, dois em cada três são mulheres; entre os portugueses com salários mais altos, há pelo menos uma diferença de €320 nos vencimentos de homens e mulheres, com prejuízo para estas últimas; a gravidez continua a ser um obstáculo na progressão na carreira; os lugares de chefia continuam a ser maioritariamente masculinos - e quando as mulheres lá chegam recebem tendencialmente menos que os homens; a Comissão Europeia diz que Portugal foi o país onde o fosso dos salários entre homens e mulheres mais aumentou entre 2011 e 2016. Esta quinta-feira é Dia Internacional da Mulher e há que falar sobre igualdade - ou a falta dela

As mulheres ganham hoje em média menos 278 euros por mês que os homens. É essa a diferença entre os 1.271 euros de ganho médio mensal dos homens e os menos de mil euros (€993) nas mulheres, segundo os dados mais recentes do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (GEP/MTSSS), relativos a 2016 e publicados este ano. Visto de outra forma, é como se as mulheres trabalhassem 79 dias por ano sem serem remuneradas.

A diferença já foi menor – por exemplo, em 2013 era de 251 euros – e dados da Comissão Europeia divulgados esta quarta-feira, véspera do Dia Internacional da Mulher, apontam para Portugal como o país em que o fosso salarial entre homens e mulheres (que é comum a muitos países europeus) mais cresceu entre 2011 e 2016.

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