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“A falta de formação das chefias é a principal causa do atraso da economia portuguesa”

Marcos Borga

Para o investigador do Observatório das Desigualdades, as qualificações dos portugueses são tão baixas em comparação com o resto da Europa, sobretudo ao nível dos patrões, que o país quase parece “pertencer a um mundo diferente”. Apesar da queda do desemprego nos últimos anos, o autor do estudo “O Mercado de Trabalho em Portugal e nos Países Europeus: Estatísticas de 2018”, que vai ser apresentado esta quarta-feira no ISCTE, explica que a precariedade tem vindo a crescer e é um fenómeno estrutural do mercado de trabalho

Quase metade dos empregados em Portugal não foram além da escolaridade básica. É o valor mais alto da UE. Que consequências é que isso tem?
São dramáticas. Por exemplo, ao nível da capacidade de adaptação das empresas às exigências da modernização tecnológica e ao mundo globalizado, e também pelos desafios quanto ao aumento do valor acrescentado dos produtos que produzimos. Este é o principal fator de atraso da nossa economia. A escolarização tem tido uma evolução bastante significativa nas últimas décadas, mas os outros países também evoluíram e portanto o ‘gap’ continua a ser enorme. Quase pertencemos a um mundo diferente. Ao nível das qualificações escolares de nível intermédio há um longo caminho a percorrer.

Mais de um terço dos dirigentes, diretores e gestores em Portugal concluíram apenas a escolaridade básica. Têm um nível médio de habilitações mais baixo do que os seus empregados. A falta de formação das chefias é uma das principais causas desse atraso?
Claramente. Dentro deste grupo temos os donos das empresas e as pessoas que, mesmo não sendo donas, estão ao leme das empresas em funções de direção ou gestão executiva. Quando são as chefias a ter esse tipo de perfil ainda é um travão maior e agudiza mais a capacidade de adaptação das empresas às novas tecnologias, a sua capacidade de inovação ou até a gestão de recursos humanos. Fala-se da baixa escolarização da população portuguesa e aponta-se o dedo aos trabalhadores mas os dados mostram precisamente o contrário – que são os empregadores que têm níveis mais baixos de escolarização. Muito provavelmente tem a ver com o perfil produtivo da economia portuguesa e da grande incidência de micro, pequenas e médias empresas.

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