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Juan de Sousa, preso político, pede a Portugal que o salve

Luso-venezuelano, 53 anos, foi libertado em dezembro (depois de quase três anos de cativeiro), com ordem de extradição para Portugal, onde nunca esteve. Depois do choque viu na pena a salvação: Juan tem cancro e não tem como tratá-lo. Esta terça-feira é lançada uma campanha em que pede ao Governo português que o ajude a partir para Lisboa

Cartaz da campanha da Veneuropa em que se pede ajuda para a vinda de Juan Miguel para Portugal

Cartaz da campanha da Veneuropa em que se pede ajuda para a vinda de Juan Miguel para Portugal

d.r.

Andou dois anos, onze meses e três dias a sonhar com a liberdade. E quando saiu do hospital-prisão, em Caracas, no dia 23 de dezembro de 2017, Juan Miguel de Sousa, 53 anos, preso político venezuelano, não soube o que fazer com ela. Porque não é liberdade aquilo que lhe deram. Na folha de saída emitida pelos serviços secretos bolivarianos (Sebin) está escrito “libertad plena”. Mas logo a seguir, na mesma linha lê-se “y traslado a Portugal”. Extradição para Portugal, o país do pai — João de Sousa, madeirense, de Campanário, na Ribeira Brava, há tanto tempo falecido — mas que nunca foi o dele. Juan nunca esteve em Portugal nem obteve a nacionalidade que a ascendência paterna lhe permitia. Ao que sabe, resta-lhe na ilha um primo velhinho, e extingue-se aí o ramo da genealogia nacional.

Entre a multidão que gritava, chorava, ria e se abraçava à porta do presídio, em reencontros há tanto esperados — nesse dia foram libertadas dezenas de pessoas —, Juan Miguel surge sem expressão, o rosto resignado, os braços caídos, a boca num risco fechado. Nas fotografias e vídeos que encheram as redes sociais dos ativistas anti-Maduro parece um intruso numa história feliz. “Como me sinto? Sinto-me como qualquer pessoa que foi libertada depois desta injusta passagem, que foi terrível, e foi condenada a desterro. Eu não sou português, sou filho de português”, explica às televisões.

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