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“A primeira vez que me tocaste... Estas maravilhas alguma vez cessarão?”

Fotos Studio/Produzent

Elio apaixona-se por Oliver e Oliver apaixona-se por Elio. Sabem que o primeiro amor é curto, mas aproveitam tudo, da curiosidade à provocação e do êxtase àquela espécie de luto abrupto. A acompanhá-los têm, durante o tempo que dura “Call me by your name”, a omnipresença subtil de Sufjan Stevens, que compôs duas canções delicadas especificamente para este filme: “Mistery of Love” e “Visions of Gideon”. Este é o último dos cinco textos que publicámos esta semana sobre os filmes nomeados pela Academia pela melhor canção original

A primeira coisa que se sente quando se vive um primeiro amor daqueles é uma curiosidade difícil de calar. Quer-se conhecer tudo: as formas, as palavras, o som. A pouco e pouco, a sensação de êxtase, a sensação de que há possibilidades infinitas no mundo e no futuro, de que de repente tudo ganhou uma cor nova, mais viva. Esse fascínio não pode acabar abruptamente. É aí que chega a angústia, a mágoa, a incompreensão. O fim, o mais previsível de todos.

As cores do primeiro amor de Elio acontecem primeiro em tons azuis, pintados às pinceladas, sem ordem nem obediência. É em azul que ele sonha com Oliver, “l’usurpateur”, quando está sentado fora de casa, à espera que o seu primeiro amor apareça. Pergunta por ele. Espera. Finge que está a dormir, que não quer saber, que não deu importância. Fica frustrado quando não passa a mensagem que queria. Afinal de contas, ainda é só o primeiro amor e não tem como saber que a comunicação se faz de maneiras muito mais complexas, ou às vezes até nem se faz de todo.

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  • Lembra-te de mim sempre que ouvires uma guitarra triste

    No início de “Coco” ouvimos uma versão de “Remember me” divertida, festiva, exagerada. No final há uma versão suave, ternurenta, triste (e esta é a maneira certa de a cantar e ouvir). “Remember me” condensa em si toda a história do pequeno Miguel e da sua bisavó Coco, ou a história de uma família inteira, ou se calhar a história de um país e da memória que se vai perdendo. Este é o terceiro dos cinco textos que publicamos esta semana sobre os filmes nomeados pela Academia pela melhor canção original

  • Não há canções que me façam querer levantar-me e mudar o mundo

    “Marshall” conta a história verídica de um advogado afro-americano que lutou pelo que estava certo numa altura em que até certas casas de banho lhe estavam interditas. 50 anos depois da sua luta, é a vez de um grupo de estudantes se tornar o símbolo da batalha pelo controlo do acesso às armas nos Estados Unidos. O que une as duas histórias? Uma canção que se tornou um grito de guerra. Este é o segundo dos cinco textos que publicamos esta semana sobre os filmes nomeados pela Academia pela melhor canção original

  • Um dueto ao pequeno almoço

    “Podemos saber muito sobre alguém pelo que come ao pequeno almoço.” “A Linha Fantasma” é sobre comida, moda, anos 50, talento. Mas também é obsessão, paixão, intensidade, inspiração. É a relação do criador com a musa. E da musa com o criador. É um dos nove nomeados para melhor filme nos Óscares 2018 e a ele dedicamos a quarta das nove prosas que haveremos de ter ao longo dos próximos dias sobre cada um destes candidatos ao óscar principal

  • Porque é que havia de andar quando posso dançar?

    Em “Mudbound”, a música foi feita para ser lamacenta. A lama está por todo o lado, tudo é castanho cor de ódio. Mas a canção final, “Mighty River”, é sobre amor, só sobre amor. Este é o primeiro de cinco textos que publicamos esta semana sobre os filmes nomeados pela Academia pela melhor canção original

  • O crime perfeito que cometo é amar-te

    O amor é o que tiver de ser. Com quem tiver de ser. “A Forma da Água” é um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018 e é o último e nono artigo que publicamos sobre cada um destes candidatos à estatueta principal

  • Hão de sentir a natureza do medo e do desejo

    Isto é simplesmente a história de duas pessoas - o cinema não precisa de mais para ser relevante. E há de encontrar estrofes abandonadas ao longo deste texto - são do extraordinário Sufjan Stevens e haverá de perceber porquê. “Call me by your name” é um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018 e é a oitava de nove prosas que estamos a publicar sobre cada um destes candidatos à estatueta principal

  • Satírico, brilhante, genial, desconfortável: um thriller social

    Chris namora com Rose e isto só é relevante aqui - embora não o devesse ser - porque ele é negro e ela não. Quando ele conhece os pais dela, dizem-lhe que ser negro está na moda. E é a partir daí que tudo começa a ficar esquisito e interessante. “Get Out” é um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018 e é a sétima de nove prosas que estamos a publicar sobre cada um destes candidatos à estatueta principal

  • Quem controla a imprensa?

    É sobre jornalismo, influências, ganhos e perdas. O que está por por trás de um notícia que faz a primeira página de um jornal? Esta é a história de uma das grandes revelações da imprensa: os Pentagon Papers. E quem a conta são três nomes igualmente grandes: Steven Spielberg, Meryl Streep e Tom Hanks. “The Post” é um dos nove nomeados para melhor filme nos Óscares 2018 e é a sexta de nove prosas que estamos a publicar sobre cada um destes candidatos à estatueta principal

  • Isso é pior que nada: a lição da intimidade de Churchill

    Quantos outros ditadores vão ter de ser aclamados e apaziguados até aprendermos? E quantas palavras vagas podemos suportar? “A Hora Mais Negra” é um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018 e é a quinta de nove prosas que estamos a publicar sobre cada um destes candidatos à estatueta principal

  • As pessoas mais ou menos

    O que é que fica depois da perda que não se sabe quem a causou? O vazio. O ódio. A culpa. “Três Cartazes à Beira da Estrada” é um dos nove nomeados para melhor filmes nos óscares 2018 e é o primeiro de também nove prosas que haveremos de ter ao longo dos próximos dias sobre cada um destes candidatos ao óscar principal

  • A sobrevivência é uma vitória

    Eles precisam de voltar para casa porque o inimigo aproxima-se cada vez mais. Eles precisam de sair de Dunquerque porque lá só há morte. Eles, os soldados, precisam de sobreviver. “Dunkirk”, um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018, é o tema da terceira de nove prosas que estamos a publicar ao longo dos próximos dias sobre cada um destes candidatos ao óscar principal

  • É sobre todas nós

    O texto que há de ler pode resumir-se assim: “Não conheço uma única mulher que não tenha a mais complicada, louca e bonita relação com a mãe”. “Lady Bird” é um dos nove nomeados para melhor filme nos óscares 2018 e eis a segundo de nove prosas que haveremos de ter ao longo dos próximos dias sobre cada um destes candidatos ao óscar principal