Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

“O olho ensina a ver”

Esta quinta-feira estreia o filme “Fernando Lemos — Como? Não é retrato?”, de Jorge Silva Melo. Motivo para recordar a entrevista dada pelo fotógrafo surrealista ao Expresso, em 2006

Fernando Lemos nasceu em 1926, em Lisboa, e reside no Brasil Foto Sérgio Granadeiro

Fernando Lemos nasceu em 1926, em Lisboa, e reside no Brasil Foto Sérgio Granadeiro

Sérgio Granadeiro

Em 1947 foi criado o Grupo Surrealista de Lisboa do qual também faziam parte Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, Marcelino Vespeira, Alexandre O’Neill. As suas fotografias, agora adquiridas para a Coleção Berardo, ficaram circunscritas a essa época e ainda hoje contam a história dessa geração. Como é que aconteceu o seu encontro com os surrealistas portugueses?
Teria uns 18 anos, frequentava a escola António Arroio ainda com muito pouca erudição, quando se realizou a primeira exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, no Ateliê do António Pedro e do António Dacosta, que ficava na Rua da Trindade. Quando subi as escadas daquele quarto andar fiquei deslumbrado. Lembro-me de pensar: “Aqui está a minha gente!” Quando acontece este momento único não se está mais sozinho.

Enquanto artista, não tinha ainda produzido obra nem começado a fotografar. Por que se sentiu tão identificado com aquele movimento?
É difícil explicar. Quando vi a exposição senti imediatamente que era aquele o meu caminho. Nós somos uma máquina muito intrigante e, por vezes, os nossos próprios desejos não são muito claros. Mesmo sem sermos artistas temos a capacidade de inaugurar coisas. Naquela época, andava à procura de uma imagem do país que não encontrava em nenhum campo artístico. Portugal tinha pintores mas não tinha pintura. Passámos em branco o expressionismo, o impressionismo, o cubismo... Tínhamos todos aqueles pintores que o SNI inventou e era uma maçada. Um plágio em segundo mão dos europeus.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)