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Frederique não está sozinho

300 mil menores são obrigados a pegar em armas e a combater

STEFANIE GLINSKI

Falta dinheiro para acabar com o recrutamento de crianças-soldado, numa altura em que há mais de 300 mil em todo o mundo forçadas a alistarem-se em milícias armadas ou em Exércitos. Em 2017, ainda havia sete forças estatais e 56 grupos armados a recrutar menores em 14 países. Esta segunda-feira assinalou-se o dia internacional contra a utilização de menores soldados

Quando Frederique era pequeno, ainda mais pequeno do que é hoje, viu o que nenhum ser humano devia ser obrigado a ver. “Estava na escola quando o Seleka atacou e disseram-me para ir para casa. A minha família estava escondida, então escondi-me com eles. Os soldados entraram à força na nossa casa. Queriam roubar tudo, mas o meu irmão mais velho resistiu, então agarraram nele, arrastaram-no para fora de casa, obrigaram-no a sentar-se no chão e executaram-no. Aos gritos, a minha mãe lançou-se contra o soldado que matou o meu irmão, então mataram-na também. Levaram tudo. Eu era muito jovem. Só restei eu e o meu irmão mais novo.”

Hoje Frederique tem 15 anos e vive num campo de refugiados na República Centro-Africana, o país que o viu nascer e onde dezenas de milhares de crianças continuam a ser recrutadas e usadas como soldados. Frederique foi uma dessas crianças, movido por uma sede de vingança que brotou dentro dele ao ver a mãe e o irmão serem mortos. “Há muitas formas de as crianças se associarem a grupos e forças armadas”, refere o gabinete especial da ONU para as crianças em conflitos armados no seu site oficial. “Algumas são raptadas e espancadas até à submissão.” Outras, como Frederique, “juntam-se a grupos militares para escaparem à pobreza, para defenderem as suas comunidades, movidas por sentimentos de vingança ou por outras razões”.

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