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As pessoas mais ou menos

Twentieth Century Fox Film Corporation

O que é que fica depois da perda que não se sabe quem a causou? O vazio. O ódio. A culpa. “Três Cartazes à Beira da Estrada” é um dos nove nomeados para melhor filmes nos óscares 2018 e é o primeiro de também nove prosas que haveremos de ter ao longo dos próximos dias sobre cada um destes candidatos ao óscar principal

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

Todos nós vivemos com o peso do que perdemos ou ganhámos e “Três Cartazes à Beira da Estrada” fala sobre o que fica depois das perdas. Embora possa parecer o contrário, aqui não há espaço para os bons e os vilões e isso lembra-me o que uma vez me disseram numa saída à noite e que não tornei a esquecer: não existem pessoas boas nem más, só as mais ou menos. E este filme conta a história dessas pessoas, as que lutam e tentam tornar o mundo um bocadinho melhor, mesmo que isso signifique fazer o mais errado.

E aqui cabe Mildred Hayes, interpretada pela fantástica Frances McDormand - que ganhou o globo de ouro de melhor atriz por este filme e que está nomeada para o óscar de melhor atriz-, uma das mulheres mais fortes que já vimos em filmes deste género. Ela é a mãe de Robbie e Angela Hayes, que morreu numa noite em que regressava a casa sozinha. Foi violada, espancada e queimada viva. Mildred está revoltada, amargurada. Desconsolada por nada se fazer devido à incompetência da polícia, que “está mais empenhada em torturar negros”. Ela, que personifica na perfeição a tão conhecida Rosie the Riveter, o símbolo do feminismo nos anos 50 nos EUA, com o seu lenço na cabeça e o fato azul com que anda sempre vestido, vai mostrar a todos o motivo dessa revolta com a sua força inquebrável.

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