Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

Como polvilhar purpurinas sobre a tristeza

Créditos: Facebook dos Leyya

Os Leyya são dois austríacos que se conhecem há décadas e o que os uniu foi o desejo de que a sua música não fosse identificável com nenhuma geografia, que fugisse completamente aos sons tradicionais do seu país. Com o novo disco “Sauna”, ultrapassam definitivamente essas fronteiras terrestres e destroem a maioria daquelas que existem entre géneros musicais. Este disco é para quem perdeu o medo de ouvir pop e de dizer que gosta de praia mas é também para aqueles que, ao ouvirem música nova, sem nenhuma memória associada, sentem a mesma melancolia que sentiriam se a tivessem ouvido no copo de água do seu casamento entretanto falhado

Ana França

Ana França

Jornalista

Existem poucas coisas no mundo que prendam tanto a alma como eletrónica calminha e melancólica que momentaneamente deixa de ser calminha e começa sofregamente a chorar à porta de um bar de cerveja na mão. Depois tem vergonha porque toda a sua persona se define pela (miserável) contenção, volta para dentro e os amigos nem lhe chegam a perguntar o que se passou. Leyya é assim: um conta-gotas de sentimentos ao qual, esparramados numa cama inertes como necessariamente deveríamos estar na primeira vez em que consumirmos o som dos austríacos, não conseguimos chegar. Alguém controla a rodinha do soro e não somos nós. Os Leyya são um rapaz e uma rapariga mas soam àquele amor de verão que ainda mexe contigo e sabe-o tão bem que arroga-se o direito de dosear o teu sofrimento.

Quando queremos uma explosão, as músicas dos Leyya esbatem-se como acontece com as promessas entre amantes. Quando já estamos bem, vem o riff de guitarra, a bateria eletrónica, o crescendo da distorção e as palminhas a marcarem o ritmo. Foi assim com o primeiro álbum, “Spanish Disco”, e é assim com “Sauna”, editado em janeiro deste ano pela Las Vegas Record e já com belas críticas como cartão de visita. Porém, o novo disco da banda de Sophie Lindinger e Marco Kleebauer, dois amigos de longa data vindos de uma cidadezinha perto de Viena, não carrega o peso “coming of age” que “Spanish Disco” carregava. Continua a ser um uma bela viagem através dos dias confusos do ter de se ser adulto mas é como se o ritmo das músicas estivesse a ser marcado pelas pulsações de um dia de verão onde tudo pode acontecer e já não tanto pelo desconforto do fim de outono. O inverno é uma inevitabilidade.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito para Assinantes ou basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso, pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)