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Quem apareceu foi o Trump do teleponto, não o da visão apocalíptica da “carnificina americana”

reuters

O Trump que apareceu esta madrugada (hora portuguesa) ao congresso e ao mundo não foi o Trump do Twitter: como manda a tradição, o presidente norte-americano inaugurou o segundo ano de mandato com o seu primeiro e antecipado discurso do estado da união, marcado pelo que foi dito, pelo que ficou por dizer e, segundo a contabilidade de alguns jornalistas, por 10 mentiras

Um congresso dividido, uma América em desalinho, um presidente desligado da realidade. Podia resumir-se assim o ambiente que marcou o primeiro discurso do estado da união de Donald Trump, na noite de terça para quarta, diante de democratas e republicanos e dos seus respetivos convidados. De um lado, alguns dos ‘sonhadores’ que a oposição quer salvar da deportação, jovens imigrantes clandestinos levados para os EUA em crianças. Do outro, duas dezenas de pessoas escolhidas a dedo para personificarem as aspirações políticas do empresário tornado presidente, entre elas Ji Seong-ho, um norte-coreano que procurou refúgio na América de Trump, e dois casais, um afro-americano e outro de ascendência hispânica, cujas filhas foram mortas pelo gangue MS-13 em Long Island.

Atentos, Elizabeth Alvarado, Robert Mickens, Evelyn Rodriguez e Freddy Cuevas ouviram o presidente declarar, sem quaisquer provas que o substanciem, que já pôs “milhares e milhares e milhares” de membros do gangue americano-salvadorenho na prisão ou em aviões de volta para casa num só ano. Esta foi uma das mentiras que vendeu aos cerca de 40 milhões de norte-americanos que assistiram ao seu discurso em direto (menos 7,7 milhões que os que assistiram ao seu primeiro discurso ao congresso depois da tomada de posse). Foi uma de pelo menos dez, segundo o trabalho de contagem e verificação de factos feito por vários jornalistas em tempo real.

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