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“Basta uma tentativa falhada de revelação por parte de uma vítima para remetê-la a ela e muitas outras ao silêncio novamente”

O médico Larry Nassar foi condenado a uma pena de prisão até 175 anos por ter abusado de dezenas de ginastas norte-americanas

FOTO SCOTT OLSON/GETTY IMAGES

Uma mãe cuja filha se suicidou, uma filha cujo pai se suicidou, ginastas e antigas ginastas, ginastas olímpicas e outras que não o eram mas ambicionavam ser e que nunca tiveram coragem de contar o que tinha acontecido. Até terem. Um homem abusou de 150 meninas e os relatos são chocantes. Como é que isto acontece, como se previne que volte a acontecer, como se vence o silêncio que tortura as vítimas?

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Chelsea Markham tinha 10 anos quando foi abusada sexualmente por Larry Nassar, o antigo médico da seleção americana de ginástica que na quarta-foi feira condenado até 175 anos de prisão por ter abusado sexualmente de mais de 150 ginastas, antigas ginastas, ginastas olímpicas e outras que não o eram mas ambicionavam um dia ser. Depois de uma consulta, Chelsea chegou ao pé da mãe em lágrimas. “Mãe, ele colocou os dedos dentro de mim e não tinha luvas”. Pediu à mãe para não dizer a ninguém pois tinha medo que isso a impedisse de se tornar uma ginasta profissional, como desejava. “Toda a gente vai saber e toda a gente vai julgar-me e os júris das provas também vão saber quando me virem competir”, disse então Chelsea. Pouco tempo depois, a jovem desistiu da ginástica e começou a ter depressões e problemas relacionados com droga. Sabemos isto não através da jovem, mas da sua mãe, que contou o que aconteceu no tribunal de Michigan, onde foram ouvidas todas as outras vítimas ao longo dos últimos sete dias. Chelsea suicidou-se em 2009, com 23 anos.

“Sinto falta dela todos os dias. E tudo começou por causa dele”, afirmou Donna Markham, com o olhar posto em Larry Nassar.

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