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O homem que o piano salvou

Menahem Pressler foi membro fundador do Beaux Arts Trio, só dissolvido em 2008. Na imagem, vêmo-lo a tocar em Toulouse, em 2016

FOTO REMY GABALDA/AFP/Getty Images

Tem 94 anos e é, entre os pianistas de craveira internacional, o mais idoso em atividade. Nasceu em 1923, viveu a guerra e o exílio. E não quer parar, sob pena de começar, aí sim, a sofrer as mazelas da idade. Menahem Pressler é um sobrevivente em todos os sentidos e toca este sábado, 13 de janeiro, na Fundação Gulbenkian

“Nasci pianista, no sentido mais literal. Dediquei a minha vida ao piano, à música: são o meu alimento diário.” A frase começa no passado, termina no presente. E projeta-se — pensamos — para um futuro no qual Menahem Pressler também ocupa o seu lugar no palco, tal como o vem fazendo há muitas, muitas décadas. Pouco importa que esse futuro seja um programa de curto prazo, que Pressler tenha 94 anos feitos em dezembro, que ainda continue a tocar. Que seja, hoje, entre os pianistas de craveira internacional, o mais idoso em atividade. “Sou um sobrevivente e estou infinitamente grato por isso. Quero sempre viver e agir.” Os dois verbos parecem ser apenas um na vida deste homem a quem os amigos reclamam companhia nas atividades que lhes preenchem a velhice, como as tardes a jogar golfe ou à frente da televisão.

Ele, porém, não está para ali virado. “Não encontro prazer nenhum em meter uma pequena bola num buraco”, disse há uns anos ao jornal “The Guardian”. Na mesma ocasião, revelou o método para se manter em forma: “Faço todo o exercício de que preciso a correr da porta de embarque 12 para a 28, a tentar não perder o meu avião!” É o que faz desde sempre, embora nem sempre pelas mesmas razões. A mais importante delas motivou a mulher, Sara, com quem casou em 1949, a apelidá-lo de ‘glückspilz’ — algo assim como ‘homem sortudo’. Na verdade, é o que foi. Nascido em 1923 em Magdeburg, Alemanha, no seio de uma família judia, tinha dez anos quando Hitler ascendeu ao poder. Ainda não fizera os 15 quando, em novembro de 1938, ocorreu a Kristallnacht, e a loja de pronto-a-vestir masculino do pai foi reduzida a escombros.

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