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Quando foi preciso recorrer às armas para trazer o Natal de volta: os 90 comandos portugueses que libertaram uma cidade

Foto DR

Eles vão passar o Natal fora do país para que outros consigam por sua vez regressar a casa no Natal: os militares portugueses na República Centro-Africana realizaram este ano a única operação ofensiva levada a cabo pela força da ONU naquele país, libertando a cidade de Bocaranga e permitindo que centenas de cristãos pudessem retornar às suas habitações a tempo do Natal. Há dias, os militares foram novamente projetados numa nova missão, para outro ponto remoto do país

O silêncio é subitamente interrompido por um barulho que se começa a ouvir ao longe, primeiro baixinho, depois cada vez mais intenso. Não demorará muito até eles se aperceberem que se trata de helicópteros de combate, que em poucos minutos já estão por cima das casas e começam a disparar. Alguns elementos do grupo armado terão batido logo ali em retirada, outros ainda resistem. Quando os portugueses entram em ação, já os helis MI-35 tinham feito um ataque aéreo inicial, mas os aparelhos senegaleses irão manter-se sempre no ar como os olhos dos militares que estão cá em baixo no terreno. A partir dali serão precisas sete horas até que a operação de libertação esteja concluída. E os portugueses serão forçados a abrir fogo.

A cidade chama-se Bocaranga e fica na noroeste da República Centro-Africana, já bem perto da fronteira com o Chade e os Camarões. Tinha sido ocupada por um grupo armado muçulmano autodenominado 3R (que significa “Retorno, Recuperação e Libertação”) e liderado por um homem conhecido como “general Sidiki”. Os cristãos foram obrigados a abandonar as suas casas, levando consigo tudo o que puderam, do pouco que ainda têm. Estavam a viver num campo de deslocados situado a alguns quilómetros dali. Era aí que provavelmente passariam este ano o Natal, não tivesse sido a intervenção das forças portuguesas que estão destacadas no país.

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