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Seca. “Vamos deixar de ter primavera em Portugal”

Este outubro foi o mais seco dos últimos 20 anos: choveu 30% do valor normal para a época e os termómetros marcaram 3º Celsius acima do registado no período de referência 1971-2000. O país está em seca extrema ou severa

Nuno Botelho

Com as alterações climáticas, Portugal enfrenta um dos dois cenários “mais dramáticos” previstos pelos modelos físico-matemáticos. As estações vão diluir-se, as ondas de calor tendem a prolongar-se e as secas serão mais intensas, resume o geofísico Pedro Matos Soares, em entrevista ao Expresso

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Secas idênticas ou piores do que a que se vive este ano estão projetadas para Portugal no futuro. Estes cenários não são vistos em nenhuma bola de cristal, mas em modelos físico-matemáticos. O geofísico Pedro Matos Soares, investigador do projeto Cenários de Alterações Climáticas, desenvolvido na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem trabalhado nestes cenários. De acordo com as projeções, as ondas de calor podem multiplicar-se por dez ou até durar mais de um mês.

Estamos a viver uma das piores secas de que os registos deram conta desde os anos 30 do século XX. Porém, com as alterações climáticas, os cenários tendem a ser ainda piores no futuro?
As alterações de precipitação em Portugal tendem a ser muito negativas até final do século XXI. É o que indicam os modelos físico-matemáticos que utilizamos para realizar as projeções, de acordo com os dois cenários traçados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações climáticas, o RCP 4.5 e o RCP 8.5. A atual trajetória das concentrações de CO2 infelizmente tende a enquadrar-se neste segundo cenário, que é o mais dramático e do qual só sairíamos se houvesse a nível global políticas de redução de emissões de gases de efeito de estufa muito mais drásticas do que as que estão em cima da mesa.

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