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Fogo acelerou degradação da terra

O inferno ainda não acabou. Depois das chamas há o perigo das enchurradas

Lucília Monteiro

Um mês depois tardam os planos para minorar os impactos do grande incêndio e nem sequer a população foi avisada dos riscos que corre se houver trovoadas em Agosto

“O Outono é daqui a dois meses e não foi feito nada para minorar os efeitos da erosão que pode ser acelerada se em Agosto houver trovoadas, com chuvas intensas e breves, como as que a região já assistiu neste Verão.” O aviso é de Mário Marques, geógrafo e especialista em riscos naturais que ao longo do fim-de-semana esteve na região, integrando uma plataforma composta por técnicos de várias áreas que procura encontrar soluções para a região afetada.

“Em Pedrógão, e na Castanheira, os solos são muito pobres e fracos. Nalguns locais já se vê a rocha-mãe e nem o eucalipto vinga. São finos e apenas crescem em altura. Se não houver rapidamente um plano florestal de contenção esta região, em 20 ou 30 anos, pode ficar semidesértica”, alerta. O especialista, nota que “já há rebentamento de fetos”, e lembra que “as ribeiras estão secas e cheias de caruma e terra solta. Tudo isso está a jusante e uma chuva forte, e em Agosto há previsão de trovoadas, pode empurrar todos esses materiais para as terras de cultivo”. É que a chuva, “não sendo cadenciada ou moderada, pode arrastar estes milhões de toneladas de entulho, provocando enxurradas e potenciando a erosão dos solos”. A solução, defende, “é não adiar mais o plano de reflorestação, que leva tempo, e quebrar esta monocultura exagerada de eucaliptos.

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