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Os pais mataram e torturaram, eles querem sarar

Na Argentina, onde a ditadura militar dos anos 70 e 80 ainda é tema de amplo debate, um novo grupo levantou a voz. São os filhos de antigos repressores a quebrarem o silêncio para “contribuir com a memória coletiva”. Reunidos sob o nome de “Historias Desobedientes”, eles escaparam também a um inferno pessoal

Erika Lederer é filha de Ricardo Lederer, obstetra e segundo responsável pela principal maternidade clandestina da ditadura argentina que também participou nos chamados ‘voos da morte’

Erika Lederer é filha de Ricardo Lederer, obstetra e segundo responsável pela principal maternidade clandestina da ditadura argentina que também participou nos chamados ‘voos da morte’

EMILIANO LASALVIA

Era sábado 3 de junho e na praça marchava-se como nela se marcha por tudo e por nada desde (quase) sempre. A Plaza de Mayo, em Buenos Aires, mesmo em frente ao palácio presidencial, há anos que não serve para outra coisa. Desta vez, vários milhares assinalavam o terceiro ano consecutivo do movimento Ni Una Menos, nascido para denunciar a violência masculina contra as mulheres num país onde a cada 30 horas uma mulher é assassinada e onde se registam 50 ataques sexuais por dia. No meio dessa marcha, um cartaz parecia destoar. Só aparentemente estava a mudar de assunto. Dizia: “Historias Desobedientes — Hijas e Hijos de Genocidas”. Sete mulheres seguravam-no, levando-o a passo lento e abrindo caminho na multidão.

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