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27 de maio: órfãos de pais e da terra

Da série de testemunhos de sobreviventes e familiares de vítimas do 27 de maio, como ficou conhecido o movimento que há 40 anos marcou o início de dezenas de milhares de execuções, publicamos nesta edição o segundo conjunto de depoimentos, de Che, filho de José Van-Dunem e Sita Valles, e de Nelson Vieira Lopes, filho de Elisiário Vieira Lopes. O assunto é o tema de capa da revista E que chega este sábado às bancas

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

Gustavo Costa

Correspondente em Luanda

Che

Che

“Nasci em Luanda em Fevereiro de 1977, três meses antes do 27 de Maio. A partir desse dia, com o desaparecimento dos meus pais (e de outros familiares e amigos) e perante a falta de informação sobre o seu paradeiro, num contexto de caça ao homem e fuzilamentos em larga escala em todo o país, os meus avós paternos decidem levar-me para Portugal em Outubro de 1977, onde nos juntámos à minha tia Francisca.

Fui descobrindo essa parte do passado por fases, no contacto com alguém mais ou menos próximo, que estivesse na disposição de quebrar o tabu e falar sobre o assunto. Acho que nesse aspeto a minha experiência não é muito diferente daquela vivida pela maior parte dos órfãos desse período. Durante a minha infância contavam-me apenas o indispensável.

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  • 27 de maio: o luto que ficou por fazer

    O Expresso inicia hoje a publicação de uma série de testemunhos de sobreviventes e familiares de vítimas do 27 de maio de 1977, aquilo que o regime angolano de então considerou uma tentativa de golpe de Estado e reprimiu violentamente, executando 30 mil pessoas sem julgamento. É o tema de capa da revista E deste sábado. Nesta edição, publicamos os testemunhos da (ex)mulher, do filho e da irmã do então chefe de gabinete do primeiro-ministro Lopo do Nascimento, Rui Coelho, que foi fuzilado a dois de julho de 1977