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Anabela, a mulher que arranca monstros do barro

Uma mulher e a doença que a condiciona. Um interior selvagem moldado em barro e monstros domesticados por dedos impulsivos. Arte bruta com assinatura, concebida por uma anónima que ganha rosto e identidade através das suas obras ao moldar a lama que traz da infância. Memórias de dor equilibradas entre o mercado da arte e o objetivo terapêutico. Anabela, a mulher que arranca monstros do barro

Christiana Martins

Christiana Martins

texto

Jornalista

João Roberto

João Roberto

grafismo animado

Motion designer

Bastam dois dedos, a respiração concentrada e, como desde sempre, do pó molhado, transformado em barro, faz-se o homem. E a mulher. Ainda antes de Eva, a primeira, Lilith, foi resultado de uma amálgama de lama e cuspo. E nunca daí saímos. No atelier do Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos, a tradição mantém-se. Violentamente, Anabela retira monstros do barro cinzento, pequenos golens, representações de medos, vozes, anseios. Liberta-os a eles e a ela.

Doente mental, 48 anos, Anabela Soares tem dois dias por semana para consumar no barro o que há muito a atormenta. Sandro Resende e José João Azevedo, monitores e responsáveis pelo projeto artístico do Júlio de Matos, encontraram nas suas obras mais do que o resultado de um impulso patológico. Encontraram arte naquele barro manuseado e, por isso, no fim do ano passado, Anabela partilhou o espaço do Pavilhão 31, no terreno dos hospital, com Emir Kusturica, ele a expor vídeos associados sobretudo ao filme "Gato Branco, Gato Preto" e ela as suas esculturas de animais humanizados ou seres humanos bestializados.

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