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As guerras de Fátima à volta da paz

Ilustração João Carlos Santos

Panfletos contra a guerra colonial distribuídos em Fátima, uma carta entregue discretamente a um ex-secretário do Papa João XXIII, padres angolanos a pensar “ocupar” a nunciatura do Vaticano em Lisboa durante a visita de Paulo VI a Fátima... A questão da guerra e da paz esteve muito presente em Fátima desde o início, quando as crianças disseram que a visão lhes anunciara o fim da Grande Guerra

António Marujo (texto) João Carlos Santos (Ilustração)

A única vez que Joana Lopes foi a Fátima foi em 1967, na altura da visita do Papa Paulo VI. O objetivo era ela e José Manuel Galvão Teles, membros da então Junta Central da Acção Católica (um organismo coordenador desses movimentos de leigos católicos) entregarem ao antigo secretário do Papa João XXIII, Loris Capovilla, uma carta dirigida a Paulo VI. Nela se descrevia a situação política em Portugal, marcada pela guerra colonial e pela falta de liberdade.

“O objetivo foi conseguido”, recorda agora ao Expresso. Pouco tempo depois, conforme combinado em Fátima, o cartão recebido do Vaticano a dizer “Missão cumprida” assinalava isso mesmo. Mas já alguns dias antes da visita do Papa, como recorda no livro “Entre as Brumas da Memória” (ed. Âmbar), Joana Lopes tinha ido, com Nuno Teotónio Pereira e o mesmo Galvão Teles, à nunciatura do Vaticano, falar com monsenhor Maximilien de Furstenberg, então representante do Vaticano em Lisboa. “Era ainda uma tentativa de que o Papa não viesse” ou, pelo menos, que tivesse em conta a situação política do país, explica, recordando o gesto.

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