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Domingos Abrantes: “É como se tivesse sido completamente enterrado”

Domingos Abrantes, operário, funcionário do PCP e membro do Conselho de Estado, detido pela primeira vez em 1959 e um dos participantes da fuga de Caxias em 1961, foi um dos presos políticos enviado para a “solitária”. O seu testemunho é o quarto que estamos a publicar esta semana de oposicionistas enviados para os “curros”, ou “segredo”, como as celas de isolamento também eram conhecidas

Cristina Margato

Cristina Margato

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Jornalista

António Pedro Ferreira

António Pedro Ferreira

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Fotojornalista

Por mais perigoso que tenha sido escapar-se do forte de Caxias no próprio carro de Salazar, debaixo dos narizes dos guardas e das suas armas, como Domingos Abrantes fez na companhia de sete prisioneiros (uma espetacular fuga, mais típica de um filme de Hollywood do que da realidade portuguesa dos anos 60), esse não foi o momento mais difícil na vida deste homem, operário, que cedo entrou para o Partido Comunista Português, e para a clandestinidade. De Caxias saiu incólume e vencedor, dono de uma vitória singular e simbólica, num carro a grande velocidade que derrubou um portão de ferro e madeira: “Foi uma derrota para a polícia e para ‘o senhor’, tendo em conta que se tratava do carro de estimação de Salazar.”

Domingos Abrantes, 81 anos, atualmente membro do Conselho de Estado, passou por vários estabelecimentos prisionais, ao longo de 11 anos de encarceramento. No Aljube, conheceu os seus curros, em Caxias os seus “segredos”, em Peniche casou-se com Conceição Matos, outra resistente antifascista.

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