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Como quer o governo chegar a um défice de 1%?

Luís Barra

Novas medidas de Centeno, sem contar com renovação de contribuições, valem apenas 0,2 pontos do PIB. Crescimento da economia paga maior parte do esforço de redução do défice em 2018

Quando um governo português anuncia um défice de 1% do PIB para o ano seguinte só pode ser motivo para surpresa. E há, pelo menos, duas boas razões para isso: a confirmar-se, será um novo mínimo na história orçamental pós-25 de Abril e é, além disso, um resultado relativamente raro numa Europa onde oito países nunca conseguiram resultados destes desde 1999. A questão, como sempre nestes casos, é saber se e como vai Mário Centeno conseguir chegar a esta meta. No papel, a estratégia parece simples. Parte-se de um défice de 1,5% do PIB este ano, conta-se com o crescimento da economia, ‘pagam-se’ os efeitos que transitam deste ano (o chamado carry over) e aplicam-se medidas q.b.. Fácil? Talvez sim, talvez não.

Em qualquer exercício orçamental, o andamento da economia é sempre uma das variáveis fundamentais. Para o bem e para o mal. Um PIB maior é sinónimo de mais receita e menos despesa, logo menos défice. Basta ver, por exemplo, que o Estado arrecada em impostos e contribuições cerca de um euro em cada três de PIB. Assim, se o PIB nominal crescer 3,4% como está previsto no Programa de Estabilidade (PE), o que corresponde a cerca de 6400 milhões de euros, os cofres do Estado encaixam um terço deste montante. Ao mesmo tempo, um PIB maior é um denominador mais gordo na hora de fazer medir o défice em percentagem.

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