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Um livro sobre o Papa Francisco, muitos alertas à Igreja Católica

antónio pedro ferreira

Um padre português toca em várias feridas abertas da Igreja. A propósito da vinda do Papa Francisco a Fátima, Anselmo Borges, professor na Universidade de Coimbra e sacerdote da Sociedade Missionária Portuguesa, passa em revista temas fraturantes que podem separar a hierarquia dos fiéis. O livro — “Francisco, desafios à Igreja e ao Mundo” —, editado pela Gradiva, será lançado na próxima semana, mas o Expresso faz aqui uma pré-publicação da apresentação escrita pelo próprio autor

Anselmo Borges (texto)

1. Mais tarde ou mais cedo, todos somos confrontados com perguntas de abismo sem fundo: Porque é que há algo e não nada? Qual é o sentido da minha vida, da existência de tudo? Qual é o fundamento último do que há? O seu sentido último? O filósofo ateu Ernst Bloch formulou assim as perguntas de sempre e de todos: «Quem somos? Donde vimos? Para onde vamos? O que é que nos espera? O que esperamos?» Estas perguntas são inevitáveis, porque somos seres do intervalo, entre o finito e o infinito, entre o mistério exultante do ser e de se ser e a noite ameaçadora da morte e do nada. A rea¬lidade não é evidente, mas ambígua, porque há o que causa espanto positivo: a exaltação da vida, o esplendor da beleza, da bondade e do amor, mas também há o que causa espanto negativo: o horror da violência bruta e da guerra, da crueldade e do ódio..., a ameaça do nada no fim. E perguntamos: o que é verdadeiramente e o que é que realmente vale? É tudo para quê? É tudo para nada? Sem sentido?

A vida não começa com uma doutrina. A vida começa com experiências e perguntas. A pergunta fundamental, essencial — nunca é demais repeti lo — tem a ver com o fundamento e o sentido da existência, o sentido de todos os sentidos, o sentido último. O quê ou quem dá sentido último à minha existência, à existência dos que amo, da história, do mundo, da realidade toda?