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1925-2017. A mulher que não sabia conceber o infinito

Maria Helena Rocha Pereira faleceu hoje com 92 anos de idade e era a maior filóloga portuguesa

Fotos Luís Efigenio/NFactos

Vários encontros e diferentes conversas ao longo de anos permitem a construção de um retrato possível de Maria Helena Rocha Pereira, a grande especialista em Estudos Clássicos para quem não era possível formular um juízo sobre outra pessoa sem pelo menos vinte anos de convívio

Uma curta conversa com Maria Helena Rocha Pereira era como navegar num mar revolto de ideias, de conceitos, sempre com a noção de ser aquela uma viagem segura, tão sólido, tão consistente era a embarcação em que nos deixávamos embalar. Faleceu esta segunda-feira. Tinha 92 anos de idade, mas nela, a idade era tão só um número incapaz de a arredar das suas paixões, das suas entregas, das suas imensas leituras.

Viveu uma vida longa e ao longo de todo esse percurso sempre experienciou a dificuldade de ser mulher. Um dia contava-me que quando começou a dar aulas em Coimbra, o professor Joaquim Carvalho, um dos grandes catedráticos da Universidade, não hesitou em dizer-lhe algo que jamais conseguiu tirar do seu pensamento: “não gosto de saias nesta faculdade. Saias, nem de mulher, nem de padre”. Como há sempre um “porém” nestas histórias, o professor lá acabou por abrir uma exceção no seu radicalismo marialva ao admitir que, após quanto ouvira de Maria Helena no Conselho Científico, achava que estava bem terem-na contratado.

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