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Antigo nº 2 da Ongoing saiu da Oi com 4 milhões no bolso

Rafael Mora, ex-administrador da Ongoing e da PT, deixou a administração da operadora brasileira Oi com uma indemnização de cerca de 4 milhões de euros. Mora saiu da Oi, em março, na sequência de um conflito aberto com Nelson Tanure, o novo acionista da histórica operadora brasileira, e o homem que a quer dominar

Rafael Mora, antigo administrador da Ongoing, saiu da Oi - operadora brasileira com quem a PT se fundiu em 2014 - em março, um ano antes do fim do mandato, que terminava em 2018. Mas não saiu de mãos a abanar, levou uma indemnização de cerca de 4 milhões euros, que o impedirá de trabalhar dois anos no sector das telecomunicações. Quem o diz é Lauro Jardim, colunista de “O Globo”, normalmente bem informado. Foi ele quem noticiou em primeira mão que Zeinal Bava ia ser afastado da presidência da Oi.

"Ninguém entendeu nada quando, há três semanas, Rafael Mora, representante dos portugueses no conselho da encrencada Oi, renunciou à sua cadeira. Não restava dúvida, porém, sobre quem ganhara com a renúncia: Nelson Tanure, que em outubro partira para cima de Mora para quebrar-lhe a cara numa reunião de conselho para lá de animada. Eis a explicação: Tanure pagou 4 milhões de euros (13,2 milhões de reais) para que Mora pedisse o boné", conta Lauro Jardim.
“Troca de xingamentos”

O colunista diz que foi Nelson Tanure, detentor de cerca de 10% da Oi e de 8% da empresa portuguesa Pharol, quem terá pago (ou pelo menos foi quem deu a cara) esta indemnização. Rafael Mora saiu da Oi em conflito aberto com Tanure, que praticamente desde que entrou na Oi quis afastar Rafael Mora da administração da operadora brasileira, lugar a que o gestor espanhol tinha chegado através da PT e da Ongoing.

O Expresso tentou sem sucesso contactar Rafael Mora, e os representantes de Nelson Tanure, que entrou no capital da Oi em 2016, não quiserem comentar a informação. Não foi por isso possível esclarecer até ao fecho da edição quem pagou a indemnização, nem obter um comentário da Pharol e da Oi. Mas o mais natural é que tenha sido a Oi, já que Mora era administrador da empresa, e não cumpriu o contrato até ao fim.

Rafael Mora apresentou a demissão da Pharol e da Oi, detida em 27% pela empresa portuguesa, a 7 de março. A Ongoing, de quem Rafael Mora foi líder juntamente com Nuno Vasconcellos, era uma das aliadas do BES e de Ricardo Salgado. A Pharol foi a empresa que herdou os destroços das participações sociais do antigo operador histórico português, depois de parte operacional, a PT Portugal, ter sido vendida à Altice.

A saída aconteceu na sequência de um episódio de confronto físico entre Tanure e Mora, já noticiado pelo Expresso e contado pela revista "Piauí", na edição de fevereiro, num artigo com o título 'A Agonia da Oi'. Nela era relatado que Nelson Tanure tinha uma "relação de belicosidade" com parte dos conselheiros da Oi, sendo um deles Rafael Mora. "Após uma troca de xingamentos, Tanure (...) levantou-se do seu lugar e foi em direção ao espanhol [Mora], batendo com força no ombro do interlocutor", conta a "Piauí". Mora, ainda antes de se demitir, tinha confirmado ao Expresso este acontecimento, garantindo na altura que não reagiu. Fez queixa formal.

A Oi tem uma dívida de 65 mil milhões de reais, e está desde o início de 2016 num processo de recuperação judicial.