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“A História entrou no poema e não tem cura”. O poema que Alegre dedicou ao tio-avô de Catarina Martins

Manuel Alegre com os dois filhos do Dr. Ferreira Soares, Jorge e Maria Fernanda

rui duarte silva

“O Canto e As Armas” foi a marca de uma geração que lutou contra a ditadura. O Expresso acompanhou o poeta Manuel Alegre a Nogueira de Regedoura, onde homenageou uma figura celebrada num desses poemas, o médico dos pobres, Dr. Ferreira Soares, tio-avô de Catarina Martins. E seguiu para Santo Tirso, onde um vasto programa de homenagem e celebração lhe foi dedicado

No passado dia 24, uma manhã gelada, de um inverno que teima em ocupar a primavera, um desconjuntado livro, com páginas a descoserem-se, repousava sobre um muro frio e escuro, à entrada do cemitério de Nogueira de Regedoura. Passava das mãos de Maria Fernanda, a filha do homem que ficou conhecido como “o médico dos pobres”, Dr. Ferreira Soares, para as mãos de Manuel Alegre: o poeta que, sem o saber, imortalizou este resistente antifascista, barbaramente assassinado pela PVDE (polícia política anterior à PIDE) em 1942. Alegre consagrou com as suas palavras a memória dos seus feitos, numa época em que se abafavam todos os gritos, todas as dores dos familiares que viram soçobrar os seus perante as atrocidades da ditadura.

Aos riscos gatafunhados pela criançada, que se habitou a ler o poema como monumento à memória do pai, avô ou bisavô, e a uma letra redonda, quase infantil, a dizer “poema sobre o pai”, juntava-se finalmente a assinatura do poeta, naquela que foi uma das primeiras edições de “O Canto e As Armas”.

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