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Como o “doutor do Euro” se plantou à saída do Eurogrupo

Foto Aris Messinis/AFP/Getty Images

O holandês Jeroen Dijsselbloem enfrenta um fim em desgraça por causa de declarações “infelizes” sobre os países do sul da Europa. Não é a primeira vez que faz mossa com o seu estilo sem filtros. Eis o perfil do homem que, sem experiência internacional, aterrou no coração financeiro da UE há quatro anos – e que chegou a agradar a muitos parceiros da zona euro antes de irritar metade deles

Quando Jeroen Dijsselbloem chegou à presidência do Eurogrupo em 2013, só era ministro das Finanças da Holanda há dois meses. Não tinha experiência política internacional e, no seu país, só se tinha sentado no parlamento pelo Partido Trabalhista (PvdA) desde 2000. Quando o liberal conservador Mark Rutte venceu as legislativas de 2012 e formou coligação com o PvdA, foi a ele que ofereceu a pasta das Finanças, embora se tenha debruçado mais sobre questões relacionadas com educação, juventude e agricultura, e menos sobre questões financeiras, enquanto deputado.

Não foi totalmente descabido. Apesar de ser licenciado em economia agrícola, em 1991 inscreveu-se no mestrado de Economia Empresarial na Universidade de Cork na Irlanda. Rutte talvez não soubesse que ele nunca chegou a concluir esse grau académico, um que constou da sua biografia oficial até a universidade o desmentir em 2014. Por ser uma “pessoa amigável” e direta no trato, angariou a confiança do primeiro-ministro para gerir o Tesouro holandês e, dois meses depois, a dos parceiros da zona euro que o escolheram para suceder a Jean-Claude Juncker à frente do Eurogrupo.

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  • Foram os líderes europeus, e não a extrema-direita, que construíram o argumentário demagógico contra a razão de ser da União. Assim como deram, com o insulto e humilhação permanente, a que juntaram doses cavalares de sacrifícios, força à esquerda antieuropeísta nos países do sul. Como podem existir condições políticas para qualquer tipo de solidariedade europeia, de que a União dependeria para sobreviver, se os principais dirigentes europeus convencem os seus povos que as transferências de recursos para garantir a convergência correspondem a dar dinheiro a quem o vai torrar sem qualquer critério? Claro que Dijsselbloem tem de ser corrido por ter insultado vários povos ao mesmo tempo e, já agora, por ter sido escorraçado do poder pelos seus concidadãos. O que não serve para os holandeses não serve para os europeus. Mas não se julgue que isso muda alguma coisa. O que Dijsselbloem disse é que o europeu médio do norte pensa. Não apenas por preconceito xenófobo, mas porque foi isso que gente considerada moderada e europeísta lhes andou a vender nos últimos seis anos. Foram eles e não quaisquer radicais que mataram a União

  • Conseguimos, uma vez mais, algo em que somos verdadeiramente bons: indignarmo-nos! E, desta vez, em conjunto com países como a Itália, a Espanha e a Grécia. Temos razão? Etimologicamente não. Indignar-se significa ser olhado como não tendo dignidade e não é um Dijsselbloem qualquer que consegue esse feito. Popularmente, sim. O holandês disse umas coisas ao jornal Frankfurter Allgemeine que não lhe ficam bem, nem são próprias de um ministro, que para mais é presidente do Eurogrupo

  • O que disse exatamente Jeroen Dijsselbloem

    Fomos ler a entrevista original publicada na edição em papel do “Frankfurter Allgemeine Zeitung” desta segunda-feira, para verificar o contexto em que o presidente do Eurogrupo disse a frase que incendiou os países do sul