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Depois das lágrimas, da mina sobram relatos de sangue, suor e carvão

MINAS DE CARVÃO. As mulheres britadeiras tinham um papel importante no processo de exploração do carvão em São Pedro da Cova

d.r.

São Pedro da Cova, que voltou agora aos noticiários por causa de um pedido de indemnização por crime ambiental, é uma antiga vila mineira marcada pelo sofrimento e pela resistência operária. Contamos como foram as vidas nesta vila, um reduto comunista no norte do país, onde os gritos romperam o silêncio das profundezas de uma exploração desumana e marcaram a história já fixada em museu

Prepare-se. Vamos descer bem fundo, até uma realidade cruel de milhares de homens e mulheres explorados, “mais do que prometia a força humana”, nas minas de São Pedro da Cova, em Gondomar. Em 1970, com o encerramento da Companhia das Minas de Carvão (CMCSPC), terminava um suplício perpetuado desde 1802, onde a morte era encarada como uma forma de repouso.

As memórias e as marcas permanecem, porém, indeléveis e nem o dedo do tempo pode esbatê-las. São histórias guardadas nas profundezas, num lugar obscuro e sem esperança, relatos assombrosos reunidos no livro “Um grito rompe o silêncio”, da autoria de Serafim Gesta “Mazola”, um natural da terra que, sem qualquer preparação específica, tem ajudado, com este e outros livros, a fixar a imensa e rica história de um tempo passado ainda refletido no presente.

O autor abre com a perspetiva daquilo que vivenciou naquela que era considerada a última das profissões e avisa: “o que aí vai escrito é um grito de alarme, uma sirene que deve manter-se sempre ativa na consciência de todos nós”.

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